Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Carinho
Postado por Prof. Sacconi, 30 Abril, 2009   

Tocou-me a sensibilidade a reação de vocês em razão do encerramento do blog. Como sou um homem emotivo, prometo-lhes que, depois do lançamento do meu dicionário (Grande Dicionário Sacconi), previsto para março do próximo ano, estarei de novo com todos vocês. Obrigado pelo carinho que me têm demonstrado. Creio que o carinho de vocês é muito maior do que aquilo que lhes proporcionei. Muito obrigado mesmo!  

Houve quem pensasse que era caso de doença. Não. Graças a Deus gozo de boa saúde e, enquanto ela existir, estarei procurando prestar algum serviço à Educação brasileira.


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Fim do blog
Postado por Prof. Sacconi, 28 Abril, 2009   

Meus amigos, próximos e distantes, por motivo de força maior, este blog chega ao fim. Obrigado a todos os que o prestigiaram.


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Anterior
Postado por Prof. Sacconi, 27 Abril, 2009   

Não admite modificadores, como mais, menos, etc., porque na sua terminação já existe a ideia de mais ou de menos. Não existe, portanto, um fato “mais” anterior a outro nem produto “mais” superior a outro. Num de nossos dicionários, todavia, no verbete clitóris se lê a combinação impugnada: “mais anterior”. Numa faculdade de Medicina de uma universidade brasileira se define assim prostion (aliás, próstion):

Ponto “mais” anterior da sutura intermaxilar. Corresponde à extremidade “mais” anterior e inferior do septo interalveolar.

Há uma convicção equivocadamente generalizada entre estudantes de Medicina e de Odontologia que conhecer português, para a área em que atuam, é algo de somenos importância. Daí por que hoje vemos médicos dizendo “catéter”, “catéteres”, “pálato”, “alopécia”, “lipotímia” e vai por aí afora. A nosso ver, em todos os primeiros anos dos cursos universitários deveria haver a cadeira de Língua Portuguesa, para o ensino do português prático, do português cotidiano, que pouco se aprende nos bancos escolares.


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A menos que
Postado por Prof. Sacconi, 25 Abril, 2009   

Essa expressão equivale a salvo se, a não ser que:

Evite cirurgias, a menos que o problema ameace sua saúde ou interrompa suas atividades!

Até 2050, alguns países da Europa devem sofrer declínio acentuado em sua população (a menos que fortes movimentos migratórios alterem essa tendência): a Bulgária deve perder 43% de sua população, a Ucrânia 40%, a Rússia 28%, a Itália e a Hungria 25%, a Espanha, a Suíça e a Áustria 20%, etc.

Um dicionarista, aliás um velho dicionarista, que por isso não tem o direito de se equivocar no emprego dessa expressão, ao dela tratar, fornece este exemplo:

A menos que faça sol, sairemos.

Ou seja, eles só sairão se chover…

Estamos bem de dicionários?


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Adriana Lima
Postado por Prof. Sacconi, 23 Abril, 2009   

Perdoem-me vocês todos a observação, mas não consigo me conter. Que mulher linda! Que baiana retada! Uma das mulheres mais formosas que já passaram por esta vista tão cansada (mas tão pura…).Estaria eu, no entanto, afirmando tudo isso exatamente por quê? Porque a Folha de S. Paulo estampou hoje uma bela foto dessa linda morena e, na legenda, o jornalista escreveu (deveria estar com a mente ofuscada pela brilho da moça):

Adriana Lima posa para a revista “DT”; modelo entrou para o top dez das mulheres mais sexies do mundo.

Não tenho nenhuma dúvida, e vocês também não terão, se virem a foto. Não terão nenhuma dúvida de que Adriana Lima, essa baianinha linda, é uma das mulheres mais sexy do mundo.

Que pena que nasci tão cedo!…


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O Houaiss e o candeio
Postado por Prof. Sacconi, 23 Abril, 2009   

Vocês me perdoem, mas eu tenho que denunciar os erros, equívocos e lacunas que encontro em nossos dicionários. Porque um dicionário, para mim e para boa parte de todos os brasileiros, é coisa séria. Parece, no entanto, que, de uns tempos para cá, um pouco da indispensável seriedade dos dicionários desapareceu. Já afirmei aqui (e vocês todos se lembram) que o Houaiss é um dicionário volumoso, muito volumoso. É um calhamaço. E só isso. Apontei alguns senões (existem milhares anotados) e, na medida do possível, aos poucos, vou lhos revelando todos.

Quem tem o referido dicionário, por favor, vá até o verbete encandear. Logo na primeira acepção está lá: Ofuscar (o peixe, a caça) com o candeio, para atraí-lo. Agora, por favor, vá até o verbete candeio. (Depois vocês me escrevem dizendo o que é candeio, segundo o Houaiss…)


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Eminente e Iminente
Postado por Prof. Sacconi, 22 Abril, 2009   

Eminente (todo o mundo sabe) significa que se destaca pela qualidade ou excelência; excelente, importante, emérito: um cientista eminente, um cirurgião eminente, um político eminente, um professor eminente. Significa, ainda, que sobressai pela altura ou elevação; alto, elevado: uma montanha eminente.

Iminente (todo o mundo sabe) significa que está prestes a ocorrer ou a se efetivar: chuva iminente, ameaça iminente, greve iminente, golpe de Estado iminente, parto iminente.

Alguém que frequentou direitinho a escola, mesmo somente até o ensino médio, errará no emprego dessas palavras? Queria acreditar que não. Mas vejam o que escreveu um jornalista carioca:

O secretário Paulo Hirano agiu correto, ao admitir que Campos, o maior município do interior do Estado, está diante de uma eminente epidemia de dengue.

Chamar uma epidemia de excelente não chega a ser crime contra a saúde popular?…


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A Academia perdeu a noção do ridículo?
Postado por Prof. Sacconi, 20 Abril, 2009   

O meu editor escreveu uma cartinha aos luminares da Academia Brasileira de Letras, encarregados da elaboração da quinta edição (ridícula) do VOLP.

Meu editor escreveu:

Gostaria de registrar as seguintes omissões na edição atual do VOLP: mapa, oxalá (interj.), pôster. Gostaria também de registrar a ocorrência da entrada pé-de-meia, com hífen. Creio que, com o Acordo, esse vocábulo deveria ser grafado sem hífen. Grato. 

A resposta veio (pasmem!) desta forma:
 

Resposta : O VOLP registra mapa-múndi e mapa do brasil; não há necessidade de escrever apenas mapa; poster, nome inglês,  está no final do VOLP entre as palavras estrangeiras. Oxalá vai ser registrada em próxima edição. Pé-de-meia é uma das exceções de locuções em que os hifens permanecem. 

Sem receio de errar nem de ser considerado um exagerado, confesso que essa é uma das respostas mais ridículas e irresponsáveis que já vi em toda minha (longa) vida. Afirmar que não registra mapa, porque já registra mapa-múndi e mapa do brasil é de uma estultice a toda prova. Imaginem um dicionarista não registrar mapa e, ao ser questionado, dizer: Ah, mas eu já registro mapa-múndi! Por que registrar também mapa?

E qual foi o critério para a retirada dos hifens em pé de atleta, pé de boi, pé de chinelo, pé de galinha, pé de moleque, pé de pato, e não em pé-de-meia? Por que não também pé de meia, sem hifens? Por que pé-de-meia é uma exceção? E, retirados os hifens, todas aquelas palavras, antes escritas com hifens, não viraram locuções? Então, como entender que sejam classificadas como meros substantivos, se agora se tornaram locuções?

Quanto ao estrangeirismo poster, também é impossível entender. Por que ainda não o aportuguesaram? Os luminares aportuguesam folder (para fôlder) e não aportuguesam poster. Por quê? Qual é a razão? Qual é o critério? (Se é que existe uma coisa e outra…) Aportuguesam couché (para cuchê) e coupé (para cupê), e não aportuguesam démodé. Aportuguesam hamburger (para hambúrguer), mas não aportuguesam cheeseburger. Aportuguesam twist (para tuíste), mas não aportuguesam freezer, bacon, iceberg e tantos outros estrangeirismos. Dá pra entender?

Ou essa gente está perdida, tão perdida quão cego em cerrado tiroteio, ou é mesmo extremamente incompetente. E saber que estamos todos obrigados a seguir o que essa gente decide! Sabem como me sinto? Eu me sinto como aquele recruta que, disciplinado, segue rigorosamente o seu comandante em direção a um abismo, para suicidar-se… 


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É de lamentar
Postado por Prof. Sacconi, 18 Abril, 2009   

Sempre que a expressão de + infinitivo equivaler a um adjetivo, não se usa o pronome se depois da preposição. Vejamos exemplos:

É de estranhar que ela não me tenha telefonado. (de estranhar = estranho, portanto não se usa é de “se” estranhar)

É de admirar o que aconteceu aqui. (de admirar = admirável)

É de esperar que se tomem as providências cabíveis. (de esperar= esperável)

Foi de espantar a reação da moça. (de espantar = espantável)

Foi de notar a sua irritação. (de notar = notória)

Era de impressionar a sua disposição. (de impressionar = impressionante)

Tais arbitrariedades não são de tolerar. (de tolerar = toleráveis)

Era de temer um retrocesso político. (de temer = temível ou temeroso)

Essas notícias não são de crer. (de crer = críveis).

Uma reação da moça será de compreender. (de compreender = compreensível)

É de entender que isso tenha ocorrido. (de entender = entendível)

Não sendo possível a substituição, então, usar-se-á o pronome se:

É de se perguntar: que país é este, que não combate a violência?

Será de se responder: este é um país que vai “pá” frente…

No entanto, termina assim o seu post uma velha jornalista de O Globo, ao comentar a cassação de Jackson Lago:

É de “se” lamentar a cassação de Jackson Lago, mas não se pode permitir que, para encerrar um dos mais longos domínios coronelistas do Brasil (quase 50 anos, é bom repetir), sejam utilizados os mesmos e condenáveis métodos largamente utilizados pelo clã dominante.

É de lamentar MESMO…


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Ameaça e Ameaças, ameaço ou ameaços
Postado por Prof. Sacconi, 16 Abril, 2009   

Convém não confundir. Ameaça é palavra, atitude ou gesto intimidativo: ameaça de greve, ameaça de agressão, ameaça de guerra, ou promessa de fazer algum malefício: receber ameaça de morte.

Ameaças, ameaço ou ameaços são sinal ou prenúncio de um mal ou de algo indesejável: tive umas ameaças (ou um ameaço, ou uns ameaços) de infarto.

Assim, não há propriedade em dizer que alguém teve “uma ameaça” de infarto nem que existe “ameaça” de tempestade.

Em suma: ameaças, ameaço e ameaços se aplicam indiferentemente ao que independe da vontade humana, ao contrário de ameaça.


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