Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Responder
Postado por Prof. Sacconi, 30 Janeiro, 2008   

Este é um verbo que ainda causa problemas aos jornalistas. Quando usado no sentido de dizer, escrever ou agir em resposta e também no de dizer ou escrever, replicando ou contestando, responder é verbo transitivo indireto. Isso significa dizer que exige a preposição a. Construímos, então:

Todos responderam ao questionário.

Se você fizer isso, poderá responder a processo.

No site de um grande jornal carioca, porém, leu-se hoje:

Estevam e Sônia Hernandes irão responder processo no Brasil por evasão de divisas e falsidade ideológica.

Ninguém responde processo em lugar nenhum…


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Indústria “automobilística”
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2008   

Não há propriedade no uso dessa expressão: automobilístico é um adjetivo relativo a automobilismo, que — como todos sabem — é uma modalidade de esporte. A língua tem dois adjetivos, e não apenas um, para esse caso: automóvel (mais usado em Portugal: indústria automóvel) e automotivo, que, por aqui, é o adjetivo recomendado. Portanto: indústria automotiva. Esta é a expressão legitimamente portuguesa e correta.

A Rede Globo de Televisão anuncia, no entanto, pelo Jornal Nacional de hoje que apresentará um programa especial sobre a indústria “automobilística”. Não é de surpreender…


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Os Kennedys
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2008   

Em português, os sobrenomes sofrem variação normal: os Cardosos, os Portos, os Andradas, os Silvas, etc. Aliás, os jornalistas ainda não sabem disso. Se o nome for estrangeiro, basta acrescentar um s: os Disneys, os Malufs, os Kennedys.

Um jornal paulistano traz, hoje, na primeira página:

Clã dos “Kennedy” declara apoio a Obama.

No site da Veja também se lê:

Parte dos “Kennedy” apóiam Obama.

Os jornalistas que estamparam tais manchetes com certeza nunca passaram pela Rua dos Gusmões, em São Paulo, nem nunca leram Os Maias, de Eça de Queirós, um dos maiores clássicos da literatura portuguesa. Ou seja: são jornalistas cultos…


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Presidenta
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2008   

Em português, assim como em espanhol, o substantivo presidente pode ser usado como nome comum-de-dois (o presidente/a presidente) ou ter como feminino presidenta. A governante argentina faz questão de ser chamada a presidenta, e não a presidente. Tem todo o direito de fazê-lo.


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Estão inventando “o” Sergipe
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2008   

Alguns nomes de Estados brasileiros exigem o artigo, como Bahia, mas outros não. Sergipe é um dos que não exigem. Portanto, usaremos:

Moro na Bahia, e não em Sergipe.

Gosto da Bahia e de Sergipe.

No Fantástico de ontem, sua belíssima apresentadora (que feliz troca fizeram) nos deixou com água na boca, pelas delícias que nos mostrou, entre as quais a tapioca de Sergipe. Mas ela informou que a guloseima era feita em Aracaju, capital “do” Sergipe.

“O” Sergipe só existirá de verdade se alguém estiver criando um Brasil diferente, com Estados novos… No meu Brasil, no nosso Brasil, que é o país do futuro, ainda só existe o Estado de Sergipe. Por isso, um dia ainda hei de visitar Sergipe, para experimentar a tapioca de Sergipe. E, desde já, vou com uma certeza: essa é bem mais saudável…


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Desapercebido?!
Postado por Prof. Sacconi, 27 Janeiro, 2008   

Que uma pessoa comum desconheça a diferença de significado entre despercebido e desapercebido é compreensível. Mas que um jornalista ignore isso é imperdoável. A palavra a usar (esqueça desapercebido, que tem uso restritíssimo) é sempre despercebido, ou seja, não notado. Um jornal paulistano, no entanto, estampa na primeira página de seu site esta “maravilha”, hoje:

NEGLIGÊNCIA NA HORA DE VISTORIAR CARROS NO DETRAN

Irregularidades passaram “desapercebido” pelos funcionários de São Paulo.

Reparou? Além de não usar despercebido, o jornalista ainda revela não ter a mínima noção do que é concordância.


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Um milhão é plural?!
Postado por Prof. Sacconi, 27 Janeiro, 2008   

Quem estiver gozando de plena sanidade mental, naturalmente, vai responder NÃO a essa pergunta. Ocorre que existem os outros…

Repare no UM, caro leitor! UM é plural? Não, não é. Mas o mais incrível é que há os que acham que é!!!

Não importa que milhão dê idéia de muitas coisas; trata-se de um coletivo, e os coletivos existem para isso mesmo: serem singulares e darem idéia de muitos. Ou ninguém conhece um bando? Ou ninguém conhece uma frota?

O que estou querendo dizer é que um milhão exige o verbo no singular, jamais no plural:

Um milhão de pessoas participou da passeata.

Mais de um milhão de latas de cerveja foi recolhido da praia.

Os jornalistas brasileiros precisam urgentemente saber disso. Para não levarem seus leitores a incorrer em erro. Hoje, por exemplo, surgiu esta notícia na primeira página de um jornal paulistano:

São Paulo é a capital da gastronomia. Mas quem reina é a pizza. “São consumidas” mais de 1 milhão de unidades por dia.

O que se pode esperar de um jornalista desses? Naturalmente, que escreva também (se for coerente):

Esse bando de moleques “moram” na rua.

Uma frota de veículos “foram comprados” pela empresa.

Há quem ria quando lê certos jornais. Eu, porém, no mais das vezes, choro…


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Opõe ou Opunha?
Postado por Prof. Sacconi, 27 Janeiro, 2008   

Escreve um jornalista da Veja sobre a eleição da Assembléia Nacional de Cuba:

Muitas ditaduras modernas recorrem a eleições periódicas para dar ares de legitimidade à tirania. O problema é que ditador que se preze não admite que se torne público que uma parcela da sociedade, por menor que seja, se opõe a sua permanência no poder.

Eu me oponho: é oponha


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Inconteste = Incontestável?
Postado por Prof. Sacconi, 27 Janeiro, 2008   

É um emprego discutível (e perigoso) esse de usar inconteste por incontestável. A verdade é que inconteste, em rigor, tem estas acepções: 1) que não é conteste ou que não está em harmonia com outras afirmações ou testemunhos: depoimentos incontestes; 2) que não foi contestado: afirmação inconteste, revelação inconteste, ação judicial inconteste.

O uso de inconteste por incontestável é, no mínimo, precipitado. Como costumo ler Reinaldo de Azevedo, que se tem revelado grande conhecedor da língua, deparei com esta frase dele no seu artigo desta semana, na Veja:

Ah, não. Não haverá uma revolução comunista liderada pelos petistas. É mais lucrativo operar uma “revolução” na telefonia, não é mesmo? Condescender com a hipótese do levante é uma forma de fazer caricatura do que vai acima. O que estou afirmando, e isto é inconteste, é que existe uma organização na América Latina, chamada Foro de São Paulo, a que pertencem o PT e as Farc, que coonesta grupos e governos que optaram pelo terror, pela ditadura ou por ambos. O que essa gente faz é chantagear a democracia, cobrando muito caro por aquilo a que temos direito de graça. E isso se dá, como sempre, sob o silêncio cúmplice e medroso dos democratas.

É incontestável!…


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Talibã
Postado por Prof. Sacconi, 27 Janeiro, 2008   

Esta é a forma correta, mas alguns órgãos de imprensa — os desavisados, naturalmente — insistem na grafia “Talebã” e até em “Taleban”. A Veja, portanto, acerta quando traz:

O Talibã mata e recupera território no Afeganistão.

Isto é: os primatas estão voltando…


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