Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Aviso a todos
Postado por Prof. Sacconi, 29 Fevereiro, 2008   

Em razão do grande acúmulo de trabalho, infelizmente, só estou podendo me dedicar ao blog uma vez por semana. Nos domingos à noite vocês sempre terão matéria nova. Pela compreensão, que eu sei que vocês terão, agradeço-lhes desde já.


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Tuiuiú - os encontros vocálicos
Postado por Prof. Sacconi, 25 Fevereiro, 2008   

Quero me dirigir aqui particularmente a limaalex, que me escreveu sobre os encontros vocálicos da palavra tuiuiú. Vamos primeiramente dividi-la em sílabas: tui-ui-ú. O que temos aí? Um ditongo (em que o u é vogal e o i, semivogal), depois outro ditongo, nas mesmas circunstâncias, e uma vogal. Muito bem. Hiato é o encontro de duas vogais. (Se são duas vogais, tem de ser necessariamente em sílabas diferentes; daí por que não há necessidade de acrescentar na definição: é o encontro de duas vogais “em sílabas diferentes”.) Ora, mas na palavra tuiuiú não existe separação de vogais; o que existe é separação de semivogal + vogal. Que vem, então, a ser isso? Continua sendo hiato. Por quê? Porque a Nomenclatura Gramatical Brasileira não faz distinção entre esse caso e o de aproximação de vogais. O caso de todas as palavras terminadas em -aio, como raio, por exemplo, também serve aqui. Em todas essas palavras, existem, em rigor, dois ditongos: ai e (i)o. Note que, ao lermos raio, pronunciamos assim: rai-io, ou seja, existe um embrião semivocálico que se estende à sílaba seguinte. Esse fenômeno de extensão do embrião semivocálico recebe o nome de glide. A NGB não considera o fenômeno e trata tudo como se fosse hiato. Na Nossa gramática, que é uma obra dirigida a estudantes de nível mais elevado, explico o fenômeno; já na Novíssima gramática ilustrada achei que falar em embrião semivocálico e glide seria desnecessário. Talvez nem devesse usar a palavra tuiuiú, para não despertar esse questionamento, que é perfeitamente justificável.


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Onde estão os erros?
Postado por Prof. Sacconi, 25 Fevereiro, 2008   

Um profissional de marketing escreve numa nova revista especializada em automóveis:

O nome de um produto precisa de muita propaganda para marcar, se não, não haveria nomes como Coca-Cola, Nike, Motorola, que além de não quererem dizer absolutamente nada, não têm nada a ver com os produtos que representam, mas todo mundo conhece, de tanta propaganda que se faz.


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Antero de Quental
Postado por Prof. Sacconi, 24 Fevereiro, 2008   

Quem não leu Antero de Quental não sabe o que está perdendo. Eu aconselho Antero de Quental. Leiam Antero de Quental. Vocês vão se sentir ainda mais maduros, depois da leitura. Reinaldo de Azevedo, em sua coluna na revista Veja desta semana, cita uma resposta do poeta a um de seus adversários intelectuais, muito mais velho que ele, no caso António Feliciano de Castilho. Poucos, hoje, reagiriam com a mesma propriedade, com a mesma frieza, com a mesma correção, com o mesmo brilho:

Levanto-me, quando os cabelos brancos de Vossa Excelência passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele, confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. Vossa Excelência precisa menos cinqüenta anos de idade, ou então mais cinqüenta de reflexão.

Essa lição de compostura foi dada há mais de um século. E pode perfeitamente, com troca de Vossa Excelência por Vossa Senhoria, ser aplicada a um suposto editor, que não consegue impor respeito nem mesmo pelas cãs, porque não as merece. Vestirá a carapuça a pessoa certa, não tenham vocês dúvida disso.


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Recorde
Postado por Prof. Sacconi, 24 Fevereiro, 2008   

A revista Veja desta semana traz entrevista com um historiador argentino, Jose García Hamilton. Uma de suas declarações é esta:

Fidel virou um ditador pior do que seu principal inimigo, Fulgêncio Batista. A diferença é que Fidel bateu recorde de tempo no poder. Nem mesmo Franco permaneceu tantos anos na Presidência.

Há uma rede de televisão no Brasil que insiste em divulgar a pronúncia “récorde”, à inglesa. Existe até um dicionário recém-publicado que abona tal pronúncia. Mas esse dicionário é um caso à parte: o número de erros e equívocos que ele contém não o abona. Tratarei desses erros e equívocos brevemente. Há no Brasil, por outro lado, outra rede de televisão, de nome Record (grafia inglesa) e nem por isso dizemos rede “récord”. Será que é justamente a concorrência acirrada entre ambas as redes que as faz distinguir a pronúncia? Será que uma não quer se identificar com a outra nem nesse quesito? Nesse caso, se isso tiver mesmo algum fundamento, a rede que dissemina a pronúncia “récorde”, de certa forma, está a merecer a atual queda na audiência. Afinal, estamos no Brasil e — ainda — falamos a língua portuguesa. Aliás, essa mesma rede divulga outras pronúncias completamente sem sentido: “Roráima”, por exemplo. Isso não é pronúncia de gente civilizada; isso é pronúncia de índio.


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A gente ou Agente?
Postado por Prof. Sacconi, 24 Fevereiro, 2008   

Muita gente anda escrevendo Agente, no lugar de A gente. São as mesmas pessoas que escrevem “nada haver”, em vez de nada a ver. Ou seja, são pessoas que… nada a ver…

Por falar em nada a ver, eis o que disse nesta semana certo presidente da República de um certo país da América do Sul:

Quando a gente é oposição é difícil aceitar que o governo dê certo. Eu fui oposição muito tempo. É uma desgraceira. Você não pode falar bem do governo, mas também não pode falar mal. Então, você tem que futucar, tentar procurar alguma coisa, procurar pêlo em ovo.

Há gente que jura que, se tivesse escrito, e não dito, escreveria “agente”, “desgrasseira”, “mau” e “fotucar”. Acho que não. Não quero achar pêlo em ovo…


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Historinhas ou Estorinhas?
Postado por Prof. Sacconi, 24 Fevereiro, 2008   

Na mesma edição da revista Veja, escreve outro leitor:

A cara de bom moço do secretário-geral do PT me lembra de continuar não acreditando em Papai Noel, mas morrer de medo do Lobo Mau vestido de Chapeuzinho Vermelho. Sou militante do PT e não acho que esse senhor tenha autoridade para fazer juízo de valor sobre qualquer companheiro. Zé Eduardo é o Lobo que comeu a Vovozinha e está dando uma de Chapeuzinho.

A pergunta é: Chapeuzinho Vermelho é uma historinha infantil ou uma estorinha infantil?

O Lobo Mau comeu a Vovozinha: isso é história ou é estória?

Não houve o mensalão: isso é história ou é estória?


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Aforisma ou Aforismo?
Postado por Prof. Sacconi, 24 Fevereiro, 2008   

Na mesma edição da revista Veja, escreve um leitor:

José Eduardo Cardozo reconhece que “as pessoas entram na política por idealismo, por vaidade, por carreirismo, e alguns até pela perspectiva do enriquecimento”, mas nada faz para acabar com isso e se alinha a mensaleiros e aloprados, ao assumir a secretaria-geral do PT. Quem com porcos se mistura, farelo come!

Incluí duas vírgulas que não estavam no original: 1) antes de e alguns; e 2) antes de ao assumir. Bem, mas o assunto é outro: a última frase soa como um aforisma ou como um aforismo? Qual é exatamente a palavra correta, já que a afirmação do leitor é absolutamente verdadeira…?


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Mensalão
Postado por Prof. Sacconi, 24 Fevereiro, 2008   

A edição da Veja desta semana, 2 049, traz ainda outra carta de leitor:

Se a intenção de José Eduardo Cardozo foi a de passar por bom moço, não colou. Se foi “descobrir a pólvora”, ao confessar a existência do mensalão, também não convenceu. Quem convive com malandros, trambiqueiros, tungadores do dinheiro público, salteadores da República, jamais poderá personificar o papel de “mocinho”.

Mensalão é uma palavra que surgiu há cerca de dois anos, lá em Brasília, embora haja quem negue a sua prática (Papai Noel também existe…). A palavra não consta em nenhum dicionário, mas constará no meu grande dicionário, que em breve será publicado:

Mesada paga a parlamentares, por membros do governo, em troca de votos a favor do governo.

 Se o meu caro leitor tiver algo a acrescentar a essa definição, eu a recebo como colaboração, a qual antecipadamente agradeço.


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Como se pronuncia corretamente?
Postado por Prof. Sacconi, 24 Fevereiro, 2008   

Na revista Veja desta semana, edição 2 049, escreve um de seus leitores, na seção Cartas:

Não sou petista. Tenho uma verdadeira ojeriza por esse partido, principalmente depois dos escândalos promovidos pelos seus filiados, que se intitulam probos, éticos e transparentes.

Pergunta: qual é a pronúncia correta de probo?

E seu antônimo? É improbo ou ímprobo?


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