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Quem não leu Antero de Quental não sabe o que está perdendo. Eu aconselho Antero de Quental. Leiam Antero de Quental. Vocês vão se sentir ainda mais maduros, depois da leitura. Reinaldo de Azevedo, em sua coluna na revista Veja desta semana, cita uma resposta do poeta a um de seus adversários intelectuais, muito mais velho que ele, no caso António Feliciano de Castilho. Poucos, hoje, reagiriam com a mesma propriedade, com a mesma frieza, com a mesma correção, com o mesmo brilho:
Levanto-me, quando os cabelos brancos de Vossa Excelência passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele, confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. Vossa Excelência precisa menos cinqüenta anos de idade, ou então mais cinqüenta de reflexão.
Essa lição de compostura foi dada há mais de um século. E pode perfeitamente, com troca de Vossa Excelência por Vossa Senhoria, ser aplicada a um suposto editor, que não consegue impor respeito nem mesmo pelas cãs, porque não as merece. Vestirá a carapuça a pessoa certa, não tenham vocês dúvida disso.
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