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A mídia esportiva é pródiga em invencionices, que geralmente aparecem em razão de um profundo desconhecimento de análise sintática. Depois de tantas tolices, agora surgiu mais uma: “de acréscimos”, no plural. Se conhecessem princípios elementares de análise sintática, não cometeriam esse erro. Quando um árbitro, ao final dos quarenta e cinco minutos finais, dá minutos de acréscimo ao jogo, os repórteres e até mesmo os narradores dizem que o árbitro deu três minutos de “acréscimos” ou dois minutos de “acréscimos”, imaginando eles que acréscimo tem de concordar com minutos. Se conhecessem análise sintática, iriam perceber que de acréscimo é uma locução, e as locuções são absolutamente invariáveis, seus elementos são fixos, estereotipados, não variam.
Certa feita, durante uma palestra somente para professores, em uma das capitais brasileiras, uma professora me perguntou se não podia construir “vou de a pés”, já que são dois os pés, e não apenas um. Eu lhe respondi, então, entre perplexo e assustado, que, se em língua tudo fosse muito lógico, só mesmo o saci poderia ir a pé; nós todos teríamos obrigatoriamente de ir e voltar “a pés”. Ela entendeu perfeitamente, depois de lhe explicar que as locuções não podem ter seus elementos pluralizados, por nenhum motivo. Mas para saber quando uma expressão é locução ou não, é preciso conhecer morfologia, é preciso conhecer análise sintática, algo que os repórteres e jornalistas demonstram a todo o momento que desconhecem completamente. Quem são as vítimas? Nós.
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