Blog do Prof. Sacconi

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por Luiz Antonio Sacconi.

 
O que é não conhecer análise sintática - 1
Postado por Prof. Sacconi, 29 Abril, 2008   

Descubram vocês o erro! Eis aqui mais uma prova de que sem conhecer análise sintática não é possível ser bom jornalista, não é possível ser bom repórter, não é possível ser profissional respeitado, não é possível merecer a confiança de ninguém. Esta notícia saiu hoje no site da Folha de S. Paulo:

Em março, a venda de casas novas nos EUA caiu 8,5% em março, atingindo 526 mil unidades –menor nível desde outubro de 1991. O preço médio das casas vendidas no mês passado caíram 13,3% na comparação com março de 2007. Foi o maior recuo percentual na comparação ano a ano desde a queda de 14,6% registrada em julho de 1970.

Vocês, naturalmente, acharam o erro. Façam seus filhos exercitar análise sintática! Só assim eles serão profissionais respeitados, qualquer que seja a carreira que abracem. 


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Colírios para os nossos olhos
Postado por Prof. Sacconi, 29 Abril, 2008   

Se colírio servir para outra coisa senão para os olhos, então que me corrijam vocês, meus amigos! As pessoas gostam muito de chover no molhado. Essa “chuva aí” está no blog Jornal do Carro de O Estado de S. Paulo.


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Sobrar (e, então, não é verbo perigoso?)
Postado por Prof. Sacconi, 28 Abril, 2008   

O verbo sobrar é um daqueles a que chamo perigoso, justamente porque os que não têm noção de análise sintática não o variam, quando seu sujeito vem posposto, no plural. Quantos não são os jornalistas que escrevem: Nessa telenovela, faltou talento, mas “sobrou” emoções. Quando esse verbo vem acompanhado de auxiliar, este é que varia: Para esse jogo acabaram sobrando ingressos.

Um dirigente do Goiás F.C. fez uma troça com o time do Corinthians, que usou camisa roxa no jogo da Copa do Brasil. Veja um trechinho de matéria saída no site de um tradicional jornal paulistano:

Na batalha de quarta-feira, as arquibancadas do Morumbi, por exemplo, estarão lotadas. A expectativa é de 60 mil corintianos empurrando o time. Nesta segunda-feira, a fila em busca de ingressos era longa no Parque São Jorge - no início da tarde, mais de 20 mil entradas já haviam sido negociadas.

“Deve ser uma das maiores arrecadações do ano”, acredita o vice-presidente de marketing, Luiz Paulo Rosemberg, também engasgado com o Goiás e valorizando o sacrifício dos torcedores na busca por um ingresso, no qual acabou sobrando farpas para os rivais do estado. “No momento de dificuldade, o corintiano se destaca. O são-paulino já estaria assistindo a um torneio de esgrima e o palmeirense quebrando o Palestra Itália”, cutucou.


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Bom-dia e Bom dia
Postado por Prof. Sacconi, 28 Abril, 2008   

São coisas distintas. Bom-dia (com hífen) é saudação ou cumprimento que se dirige a alguém, durante o dia, à chegada ou à partida:

Ela me deu um bom-dia frio.

Não gostei desse bom-dia dela.

bom dia (sem hífen) é dia agradável:

 

Apesar do seu bom-dia frio, eu tive um bom dia.

Desejo um bom dia a todos.

Depois da meia-noite até o meio-dia, devemos dar bom-dia às pessoas que eventualmente encontramos. Não existe boa-madrugada…


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Três minutos de “acréscimos”
Postado por Prof. Sacconi, 28 Abril, 2008   

A mídia esportiva é pródiga em invencionices, que geralmente aparecem em razão de um profundo desconhecimento de análise sintática. Depois de tantas tolices, agora surgiu mais uma: “de acréscimos”, no plural. Se conhecessem princípios elementares de análise sintática, não cometeriam esse erro. Quando um árbitro, ao final dos quarenta e cinco minutos finais, dá minutos de acréscimo ao jogo, os repórteres e até mesmo os narradores dizem que o árbitro deu três minutos de “acréscimos” ou dois minutos de “acréscimos”, imaginando eles que acréscimo tem de concordar com minutos. Se conhecessem análise sintática, iriam perceber que de acréscimo é uma locução, e as locuções são absolutamente invariáveis, seus elementos são fixos, estereotipados, não variam.

Certa feita, durante uma palestra somente para professores, em uma das capitais brasileiras, uma professora me perguntou se não podia construir “vou de a pés”, já que são dois os pés, e não apenas um. Eu lhe respondi, então, entre perplexo e assustado, que, se em língua tudo fosse muito lógico, só mesmo o saci poderia ir a pé; nós todos teríamos obrigatoriamente de ir e voltar “a pés”. Ela entendeu perfeitamente, depois de lhe explicar que as locuções não podem ter seus elementos pluralizados, por nenhum motivo. Mas para saber quando uma expressão é locução ou não, é preciso conhecer morfologia, é preciso conhecer análise sintática, algo que os repórteres e jornalistas demonstram a todo o momento que desconhecem completamente. Quem são as vítimas? Nós.


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Problemas técnicos
Postado por Prof. Sacconi, 27 Abril, 2008   

Se bibliólata é um substantivo de dois gêneros, não pode ser definido com “aquele”, mas sim com pessoa, ou, então, com indivíduo. Desse tipo de problema certo dicionário está muito “bem-servido”. Como, então, confiar?


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“Tal-qualmente”
Postado por Prof. Sacconi, 27 Abril, 2008   

Que dizer de um dicionário que traz isso aí? Odorico Paraguaçu, a personagem que se notabilizou por dizer “de repentemente”, “apenasmente” e outras tolices, sentiria uma invejada danada de certos dicionaristas de hoje. Então, confiar como?


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Séptuplo
Postado por Prof. Sacconi, 27 Abril, 2008   

Que dizer de uma palavra que é sinônima de si mesma? Se, ao consultarem um dicionário, vocês vissem, por exemplo: rua s.f. Rua, como clasificariam esse dicionário? Nem preciso de suas respostas. Pois um certo dicionário dá séptuplo como sinônimo de … de…. séptuplo mesmo. Não é uma verdadeira maravilha isso?


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“Lombricário”
Postado por Prof. Sacconi, 27 Abril, 2008   

Essa palavra existe? Consta do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP)? Não, não existe, não consta do VOLP. Mas está lá no dicionário. A coisa reside no verbete lumbrical, acepção 2. Aliás, o dicionarista até registra a palavra como verbete. Mas ela não existe. E, então? Dá pra confiar?


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Raios “ultravioletas”
Postado por Prof. Sacconi, 27 Abril, 2008   

Qualquer estudante da 5.ª série sabe que ultravioleta não varia no plural. Por isso, usamos com correção: radiações ultravioleta, raios ultravioleta. Num certo dicionário, todavia, se vê no verbete luminoterapia: raios “ultravioletas”. Dá pra confiar num dicionário desses?


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