Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Manchete no site da Folha
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

Violência urbana causa transtorno mentais. 

De fato…


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“Olimpíada”
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

Ricardo Boechat, amigo velho, não existe “Olimpíada” nos tempos atuais. O que existe nos tempos de hoje são Olimpíadas, sempre no plural. Olimpíada é coisa de antes de Cristo. Creio que você nem estava lá para assistir… Por isso, você deveria ter usado Olimpíadas tanto no título quanto no texto que escreveu: 

Com presença confirmada na solenidade de abertura da Olimpíada de Pequim, Lula decidiu esticar por um dia, além do previsto, sua permanência na cidade. A nova agenda atenderá a um desejo pessoal do presidente: almoçar, na Vila Olímpica, com toda a delegação brasileira. 

Se errou na “Olimpíada”, acertou na regência do verbo atender. Então, leva nota 5…


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Indústria “automobilística”
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

Ricardo Boechat, amigo velho, não existe esse tipo de indústria no Brasil. Daí por que você deveria ter escrito indústria automotiva nesta sua informação: 

O relatório mensal da indústria automobilística, que a Anfavea divulgará na terça-feira 1.º, mostra que as montadoras fecharam junho com 250 mil unidades vendidas. O número elevará as vendas do semestre para 1,4 milhão de veículos, crescimento de 30% sobre o mesmo período do ano passado. Coisa de doido. 

Coisa de doido é também imaginar que no Brasil existe indústria “automobilística”…


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Generala
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

É incomensurável e até certo ponto hilariante a capacidade que têm os jornalistas brasileiros de criar asnices. Em português, general tem feminino: generala, assim como coronel, capitão e soldado, respectivamente, coronela, capitã e soldada. Mas os jornalistas arrumam um jeito de não usar as formas femininas e, então, apelam para a criatividade asinina: mulher soldado, mulher capitão, mulher general, como fez um deles na ISTOÉ desta semana:

  

O presidente dos EUA, George W. Bush, nomeou na terça-feira 24 uma mulher para o mais alto posto do Exército americano. Ela se chama Ann Dunwoody e acumula 33 anos de carreira militar. Tornou-se agora a única mulher general de quatro estrelas - existem nos EUA dez generais homens com essa graduação.

E cometem a insanidade de usar “generais homens”, como se apenas o uso de generais levasse a dúvida acerca da sexualidade deste ou daquele militar. É a mais clara demonstração de inconseqüência vocabular. Aliás, não é novidade. Se usassem o feminino generala, se livrariam da asnice da penúltima linha.


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Estresse
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) já aportuguesou a palavra inglesa stress, daí por que não há sentido em usar essa forma estrangeira, se já podemos empregar estresse.

A ISTOÉ, no entanto, encampa a grafia usada por um de seus leitores, numa carta: 

Foi de extrema importância a matéria sobre como controlar o stress. 

Aliás, a própria revista usou stress na matéria da semana passada: A nova arma contra o stress.

Isso pode até não estressar alguns, mas causa certo estresse a outros…


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Chegou a hora de o povo protestar
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

A gramática tradicional rejeita a construção em que o sujeito vem preposicionado, mas há uma corrente de gramáticos menos ranzinzas que admitem a contração da preposição com o artigo que faz parte do sujeito. Assim, poderíamos construir:

Chegou a hora do povo protestar.

Está na hora da gente ir embora.

Eu, particularmente, não gosto muito disso (embora não me reconheça como ranzinza), porque tal construção contraria até a eufonia. Por outro lado, não sou favorável à mudança da frase proverbial: Chegou a hora da onça beber água. Duvido que algum de vocês prefira dizer: Chegou a hora de a onça beber água. Por quê? Porque seria cômico.

Algum de vocês mudaria a construção vista nesta carta de um leitor da ISTOÉ?:

  

Será que, mesmo diante de todos os fatos e depoimentos sobre a venda da Varig envolvendo Dilma Rousseff, o PT continuará a defender a ministra? Chegou a hora de o povo brasileiro tomar vergonha e deixar de ser comprado pelo governo.

Tomar vergonha é, de fato, uma ordem interessante (mas só para os ranzinzas)…

Não, não, ainda não acabou. Vale registrar a frase do ator Milton Gonçalves, esta semana:

O fato de o cara ser negro não quer dizer que não possa ser desonesto, corrupto, bandido, safado, ladrão. Pode ser tanto quanto o branco.

    

É o fato…


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Ovelha-negra
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

O que vem a ser uma ovelha negra (sem hífen)? É uma ovelha de cor negra ou pintada com a cor negra. O que vem a ser uma ovelha-negra (com hífen)? É a pessoa (homem ou mulher, daí por que se trata de nome sobrecomum) que sobressai pelo seu mau comportamento, por suas atitudes censuráveis ou por ter sentimentos ou pensamentos que destoam do grupo a que pertence. Como se vê, são significados totalmente distintos, daí a obrigatoriedade do uso do hífen no segundo caso. Fato semelhante ocorre com cabra cega e cabra-cega, em que o uso do hífen justifica a diferença de significado existente entre este composto (brincadeira infantil) e aquela expressão (cabra que não vê).Entre os nossos dicionários, um traz ovelha negra (sem hífen) para o segundo significado; o outro não traz absolutamente nada, porque só gosta mesmo de entulho. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) não traz nem ovelha negra nem ovelha-negra, daí a natural dificuldade que sentem alguns em estabelecer a correção. Há certas pessoas que têm de se apoiar em uma bengala; se não existir a bengala, elas caem e se perdem no abismo…

Mas por que estar aqui a tratar disso? Por causa da carta de um leitor da ISTOÉ, em que se vê:

  

A imagem do Exército Brasileiro não deve ser denegrida com os fatos que aconteceram nas últimas semanas. Concordo que o tenente Ghidetti agiu de forma equivocada, mas os três rapazes não eram tão santos como estão pregando. O Exército Brasileiro ainda é uma das únicas instituições que devem ser respeitadas e, assim como acontece em todos os setores da sociedade, sempre existirão ovelhas negras infiltradas no sistema.

Haja tinta preta para tantas…


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Hippie
Postado por Prof. Sacconi, 29 Junho, 2008   

Os hippies estavam na moda na década de 1970, com suas roupas, seus cabelos, suas tatoos, seus hábitos, suas contestações, suas libertinagens, que a sociedade da época não aprovava muito. Hoje não existem hippies, talvez só o nome tenha caído em desuso, mas a filosofia e o modo de vestir-se e de se apresentar de alguns continuam os mesmos. Às vezes até mais repugnantes, porque hoje esse tipo de gente não faz parte de um movimento, estão aí, uns até em universidades sérias. Ouvi e vi há uns três anos um deles pela televisão, num programa noturno de entrevistas; seu timbre de voz e seu semblante me provocaram asco; há pouco vi outro, de voz, ademanes e aparência não menos repulsivos. Eles falam, falam, como se fossem os donos da verdade, as únicas autoridades no assunto. São seres abjetos. Não têm nenhum compromisso com a ética, com a estética, nem muito menos com a disciplina, que é o fundamento da gramática, e são, com toda a certeza, adeptos da ideologia do atraso. Ou seja, são seres, além de abjetos, infelizes, por ainda trazerem consigo problemas não resolvidos. Há um ramo da psicologia que explica bem esse tipo de personalidade.

Vocês naturalmente sabem a que duas figuras estou me referindo. Se ainda não sabem, um dia vão acabar sabendo. A repugnância sempre aparece. Porque cheira…


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Crase
Postado por Prof. Sacconi, 28 Junho, 2008   

Eu sempre afirmei que crase é um assunto tão mal compreendido, tão difícil de fazer as pessoas entender, que chega a ser quase um assunto de segurança nacional. E saber que se trata de algo tão simples: basta verificar se existem dois aa na construção, um (geralmente a preposição a) pedido pela palavra da esquerda e o outro (geralmente o artigo a) exigido pela palavra da direita. Mas não tem jeito. Poucos aprendem. Hoje o jornal O Estado de S. Paulo, em seu site, estampa a figura da senhora Marta ex-Suplicy carregando um menino. Na legenda, abaixo:

 

Marta recebe o apoio de simpatizantes após convenção do PDT; pré-candidata foi comparada à Brizola

 

Usar à antes de palavra masculina é o que há. É uma demonstração inequívoca de que o redator não entende bulhufas de crase, nem mesmo sabe o que é crase.

Notem: comparada, a palavra da esquerda, pede a preposição a: o que é comparado é comparado a; mas a palavra da direita (Brizola) não exige artigo nenhum, tanto é que dizemos: Brizola morreu. (E não: “A” Brizola morreu.) Se, em lugar de Brizola, houvesse uma palavra feminina (p. ex.: deputada), o acento estaria correto, porque deputada exige o artigo; tanto é que dizemos: A deputada morreu.

Mas o que morreu foi bem outra coisa. E já faz algum tempo…

 

Convém salientar que, às vezes, mesmo antes de palavras femininas, não se usa o acento, por estar o substantivo sendo usado em sentido genérico. Por exemplo:

 

Ele diz que não é favorável a mulher ao volante.

 

Notem que, se usarmos outra construção, teremos:

 Ele diz que é contra mulher ao volante. (Não se usou o artigo a antes de mulher, porque se trata de toda e qualquer mulher, ou seja, a palavra mulher foi usada em sentido genérico.)

Vejam esta frase colhida do editorial da revista ISTOÉ, na qual não se usa o acento no a acertadamente, porque o substantivo foi usado em sentido genérico:

Como poucos têm acesso a informação, o risco de processados pelos mais variados crimes voltarem a ter mandato é altiíssimo.

Notem: não se trata de determinada informação, mas de qualquer informação. Se fosse uma determinada informação, o acento seria de rigor; mas não é esse o caso.


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Antirracional
Postado por Prof. Sacconi, 26 Junho, 2008   

É assim que escreveremos essa palavra a partir do próximo ano. O prefixo anti-, que hoje exige hífen antes de vogal, h, r ou s, só exigirá o uso do hífen antes de palavras iniciadas por h ou por i. Ex.: anti-hemorrágico, anti-herói, anti-histamínico; anti-imperialista, anti-infeccioso, anti-inflamatório, etc.  O Acordo veio simplificar a regra do uso do hífen, mas deveria ser mais abrangente. As reformas ortográficas se fazem uma ou duas vezes em cada século; daí por que deveriam ter aprofundado muito mais, para não sermos obrigados, daqui a pouco, a fazer outra, para consertar essa. Sou favorável, por exemplo, que escrevamos kilômetro, kiwi, karatê, kimono, para sermos coerentes, como faz o espanhol. Ora, como uma palavra que se escreve com qu (quilômetro) pode ter abreviatura com k (km)? Hoje, quando o k ainda não faz parte do alfabeto, ainda se entende isso, mas a partir de 2009, com a sua inclusão, dará pra entender?


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