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Podemos evitar, muitas vezes, essa cacofonia; outras vezes não. Evitável:
Paguei dez reais por cada limão. (Basta retirar “cada”.)
Vou lutar por cada centavo que me cabe por direito. (Inevitável.)
Não nos devemos preocupar, contudo, com as cacofonias, mas sim com os cacófatos (resultados sonoros obscenos produzidos pela união de sílabas de palavras em seqüência, tais como “boca dela”, “marca gol”, “ele marca gado”, etc.). Para encerrar, vejam estes textos, colhidos aqui e ali:
Entre as pessoas que usam preservativos de forma constante e correta, são bastante baixas as taxas de ocorrência de gravidez — em torno de 3 gravidezes por cada 100 mulheres, no primeiro ano de uso. O instrutor cobra R$45,00 por cada salto de bungee jump.
O “cada”, nos dois casos, é perfeitamente dispensável, tanto quanto neste texto de um garoto-propaganda da televisão, que se diz jornalista esportivo:
Sabem quanto custa um único capítulo de novela no Brasil? Globo e Record, as líderes do segmento, desembolsam de 60 a 70 mil dólares por cada dia de exibição.
E também neste texto da revista Quatro Rodas:
Na Argentina, a gasolina é vendida em média por 1,37 real o litro. Enquanto isso, o brasileiro tem de desembolsar 2,40 reais por cada litro.
E por uma gasolina ordinária (o jornalista se esqueceu de acrescentar).
Nesta semana, a revista Carro traz, na página 82, a foto de um belo Ferrari. Sobre o automóvel, escreve:
Hoje, a Ferrari pode não estar comercializando tanto quanto antes, mas ela fatura mais por cada carro vendido.
E se a gente tirasse o “cada”, o carro não ficaria mais cheiroso?…
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