Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Comentar “sobre”
Postado por Prof. Sacconi, 31 Julho, 2008   

Não existe essa regência na norma culta. Quem comenta, comenta alguma coisa. Às vezes, comenta alguma coisa com alguém. E só:

O povo comentou esse escândalo de corrupção por vários anos.

Um dicionário, porém (aquele que registra a pérola “tira-teima”), fornece no verbete comentar exemplo errôneo do emprego desse verbo. Talvez por isso, um jornal tenha estampado esta manchete, recentemente:

Dilma se recusa a comentarsobre” PAC.

Pra que o “sobre”?


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Cadê?
Postado por Prof. Sacconi, 31 Julho, 2008   

É contração e corruptela de que é de?, assim como as variantes quede? e quedê?. Assim, quando perguntamos: Cadê a ética?, estamos, na verdade, perguntando: Que é da ética? Quando queremos saber: Cadê o dinheiro do povo?, na verdade, estamos querendo saber Que é do dinheiro do povo? Quando o povo todo pergunta:

Quedê a segurança pública?,

na verdade, está pedindo o que lhe é de direito…

Ir contra o uso de qualquer dessas formas é dar murro em ponta de faca.


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Muito obrigado a todos, mas particularmente a você, Professora Édina
Postado por Prof. Sacconi, 30 Julho, 2008   

Tenho recebido muitas manifestações de carinho e de solidariedade, em relação à verborréia de certos críticos de plantão, na verdade beócios de plantão, que, sem caráter nem ética, põem-se a serviço de editoras para desmerecer o trabalho alheio. Entre essas manifestações, selecionei esta, de uma professora de Santa Catarina, que acaba de chegar e diz muito mais do que eu próprio gostaria de dizer:  

Aqui na minha região as pessoas são muito simples, humildes e ainda não sabem o que é norma culta. Muito menos a importância que tem a língua de Camões que tanto amamos. Fala-se, digamos assim, um dialeto. É muito difícil ser professora de Língua Portuguesa aqui. Por isso me apaixonei pelo seu método. Seus conceitos são práticos. Não adianta levar para a sala conceitos complicados… Antes de conhecê-lo eu fazia isso. Fico doida quando leio os textos de caras criticando os seus conceitos de fonemas… de pronomes… Esses caras que criticam nunca enfrentaram sala de aula com 40 alunos de quinta, sexta série… Adoraria vê-los abrir a boca e a sala toda cair na risada… 


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Re-escrever
Postado por Prof. Sacconi, 29 Julho, 2008   

É assim também que deveremos escrever esse verbo, a partir do ano que vem. E também: re-edição, re-editar, re-eleger, re-eleição, re-embolsar, re-empossar, re-encaminhar, re-encarnar, re-encontro, re-engenharia, re-entrância, re-envio, re-erguer, re-estruturar, re-estudar, re-examinar. É o fim do mundo! E se os luminares da Academia Brasileira de Letras forem coerentes só um bocadinho, terão de definir-se também pela grafia re-haver, porque o verbo reaver é derivado de haver, e o prefixo re- exigirá hífen antes de palavras iniciadas tanto por h quanto por e. Então, conjugaremos esse verbo assim, no presente do indicativo: nós re-havemos, vós re-haveis; no pretérito perfeito do indicativo: eu re-houve, tu re-houveste, ele re-houve, nós re-houvemos, vós re-houvestes, eles re-houveram.

É ou não é o fim do mundo?


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Pre-encher
Postado por Prof. Sacconi, 29 Julho, 2008   

Quem for preencher um cheque a partir do ano que vem, terá de preencher assim: pre-encher. É o fim do mundo! O próprio Acordo, Base XVI, item 1.f) estabelece que apenas o prefixo pré- exigirá hífen, e não pre-. Os luminares da Academia Brasileira de Letras, não se sabe ainda por que cargas d’água, interpretaram a coisa de forma diferente. Então, vamos pre-encher, pre-estabelecer, pre-existir, tudo bem separadinho. Já pensaram? Termos de escrever a conjugação do verbo pre-encher desta forma: eu pre-encho, tu pre-enches, ele pre-enche, nós já enchemos, vós já encheis, eles já encheram? Pois é. Quando digo que esse Acordo deveria chamar-se em verdade Desacordo, me encho de razão.


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Enxame e Vespeiro
Postado por Prof. Sacconi, 29 Julho, 2008   

São sinônimos? Vamos a ver.

Enxame é coletivo de abelhas; é o mesmo que colmeia.

Vespeiro é coletivo de vespas. Há dicionários que dão esses termos como sinônimos. Ora, mas as abelhas não entram em vespeiro, nem muito menos as vespas vão a enxames!


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Por cada
Postado por Prof. Sacconi, 27 Julho, 2008   

Podemos evitar, muitas vezes, essa cacofonia; outras vezes não. Evitável:

Paguei dez reais por cada limão. (Basta retirar “cada”.)

Vou lutar por cada centavo que me cabe por direito. (Inevitável.)

Não nos devemos preocupar, contudo, com as cacofonias, mas sim com os cacófatos (resultados sonoros obscenos produzidos pela união de sílabas de palavras em seqüência, tais como “boca dela”, “marca gol”,  “ele marca gado”, etc.). Para encerrar, vejam estes textos, colhidos aqui e ali:

Entre as pessoas que usam preservativos de forma constante e correta, são bastante baixas as taxas de ocorrência de gravidez — em torno de 3 gravidezes por cada 100 mulheres, no primeiro ano de uso. O instrutor cobra R$45,00 por cada salto de bungee jump.

O “cada”, nos dois casos, é perfeitamente dispensável, tanto quanto neste texto de um garoto-propaganda da televisão, que se diz jornalista esportivo:

Sabem quanto custa um único capítulo de novela no Brasil? Globo e Record, as líderes do segmento, desembolsam de 60 a 70 mil dólares por cada dia de exibição.

E também neste texto da revista Quatro Rodas:

Na Argentina, a gasolina é vendida em média por 1,37 real o litro. Enquanto isso, o brasileiro tem de desembolsar 2,40 reais por cada litro.

E por uma gasolina ordinária (o jornalista se esqueceu de acrescentar).

Nesta semana, a revista Carro traz, na página 82, a foto de um belo Ferrari. Sobre o automóvel, escreve:

Hoje, a Ferrari pode não estar comercializando tanto quanto antes, mas ela fatura mais por cada carro vendido.

E se a gente tirasse o “cada”, o carro não ficaria mais cheiroso?…


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Dona de casa
Postado por Prof. Sacconi, 27 Julho, 2008   

Creio que já tratei com vocês aqui o caso de dona de casa, expressão que não deve ser ligada por hífen. Por quê? Porque não há necessidade. Um de nossos dicionaristas já corrigiu (e já era tempo), registrando dona de casa. Já o mais antigo, aquele que todos acham o dicionário-modelo, continua premindo a tecla errada da “dona-de-casa”. Gostaria que seu autor estivesse vivo, para lhe perguntar: Por quê? Se professasse o espiritismo, numa sessão qualquer, tentaria manter contato com o espírito do homem e fazer a pergunta.

O hífen só tem razão de ser quando a palavra denota um novo significado. Por exemplo: caixa preta é uma caixa de cor preta, daí por que não há necessidade do uso do hífen; já caixa-preta tem significado totalmente diferente, e a coisa nem mesmo tem cor preta: é laranja. Ora, por que, então, os jornalistas continuam usando “dona-de-casa”? Bem, eu não tenho a resposta a essa pergunta. Mas vocês têm…

A Veja desta semana traz, à página 150:

Nas sondagens que a Globo fez sobre Ciranda de Pedra e Beleza Pura, seus folhetins do horário das 6 e das 7, donas-de-casa de todas as idades e classes sociais foram unânimes em expressar simpatia por um tipo comum nas duas tramas — o da jovem espevitada em busca de realizar um sonho.

Eu tenho um sonho (parodiando um líder negro americano): nunca mais ter de escrever nada neste blog (por já não me darem chance os jornalistas)… 


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Mato Grosso - Mato Grosso do Sul
Postado por Prof. Sacconi, 27 Julho, 2008   

Quem nasce em Mato Grosso é mato-grossense; quem nasce no Mato Grosso do Sul é sul-mato-grossense. Notem: Mato Grosso é um nome que não exige artigo, o que não ocorre com Mato Grosso do Sul. Por isso, vocês, quando visitarem Mato Grosso, não deixem de dar uma passadinha pelo Mato Grosso do Sul. Será que os jornalistas sabem disso? Vamos a ver, baseados na página 60 da Veja desta semana:

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu mais quatro ações de improbidade administrativa contra o ex-governador Zeca do PT, acusado de fazer caixa dois para enriquecer ilicitamente.

Não, acho que ainda não sabem…


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Meteorologia
Postado por Prof. Sacconi, 25 Julho, 2008   

Apesar de ser essa a palavra correta, muitos continuam confiando no serviço de “metereologia”, que não existe. Reparem nesta notícia colhida no site do provedor Terra:

Segundo o Instituto Nacional de “Metereologia”, há possibilidade de rajadas de ventos ocasionais no sábado e no domingo.

Reparem agora nesta notícia de uma folha de São Paulo:

Após a passagem do furacão Dennis – que deixou 22 mortos – pelo Caribe, o quinto ciclone da temporada ganha força “nesta segunda-feira” no Atlântico Central, informou o Instituto de “Metereologia” de Cuba (IMC).

Como a notícia foi veiculada na segunda-feira, por que usar “nesta segunda-feira”, e não hoje? Ou essa palavra já é arcaica, já caiu em desuso?


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