Blog do Prof. Sacconi

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Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Olimpíadas (outra vez)
Postado por Prof. Sacconi, 30 Agosto, 2008   

Por favor, sigam comigo este anúncio da OLYMPIKUS, na Veja desta semana:

Veja o exemplo de Michael Phelps. Não satisfeito em ganhar uma medalha, ele ganhou duas. Não satisfeito em ganhar duas, ganhou três. E assim ele foi até ganhar oito medalhas e se tornar o maior atleta da história das Olimpíadas.

Reparem: usaram corretamente as Olimpíadas. Continuemos:

O Brasil ganhou três ouros, quatro pratas e oito bronzes. Quinze medalhas no total que nos deram o 23º lugar no ranking internacional. Se olharmos somente para os números, essa foi a 2ª melhor Olimpíada da nossa história.

Reparem: usaram agora “Olimpíada”, algo que não existe há milhares de anos. Nem vou comentar a falta do ponto em 23.º e em 2.ª Por que deixaram Olimpíada, no singular, se antes usaram Olimpíadas, corretamente? Por causa do numeral. Empacaram aí. Tiveram dúvida em construir:

Se olharmos somente para os números, essas foram as 2.as melhores Olimpíadas da nossa história.

E, então, preferiram usar Olimpíada, no singular, que só se usa corretamente hoje em Olimpíada de Matemática, Olimpíada de Português, etc.  

Quando se promove um evento gigantesco como o que se realizou na China, não é para disputar apenas UM tipo de competição, daí por que esse evento é conhecido também por Jogos Olímpicos. Será que é tão difícil entender isso?! A Olimpíada foi coisa da Grécia antiga, coisa de antes de Cristo. Há gente por aí que nem sabe ser moderno!… 


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Mala
Postado por Prof. Sacconi, 28 Agosto, 2008   

A palavra mala está em moda. Usada na gíria, é nome sobrecomum masculino, ou seja, emprega-se o mala tanto em referência a homem quanto em referência a mulher. Vejam suas acepções, com os respectivos exemplos:

1. Pessoa grande e muito forte, espadaúda:

Brigou com dois malas e não apanhou. 

2. Sujeito chato, desagradável, inconveniente; babaca, cricri, redução de mala-sem-alça:

Esse jornalista esportivo é um mala!

Essa repórter é um mala!

Há dicionários que registram a palavra, nesse caso, como nome comum-de-dois. Não é. Afirmar, por exemplo, que uma repórter é “uma” mala é, no mínimo, exagerar. A coisa funciona como o caso de banana e cabeça, que são palavras femininas nas suas acepções originais, mas masculinas, nas acepções figuradas:

Coma muita banana, que a fruta tem bastante potássio!  

O que é que esse banana de sua tia está fazendo?  

Ela bateu a cabeça na quina da mesa.

Quem é o cabeça da rebelião?

Quando se trata de comparações com animais vertebrados, geralmente o gênero não muda. Ex.:

Esse político é uma raposa.

Esse deputado é uma ratazana.

Essa senadora não é um carneirinho.


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Monstro
Postado por Prof. Sacconi, 28 Agosto, 2008   

Essa palavra, quando usada com o valor de adjetivo é absolutamente invariável. Por isso, usamos corretamente: manifestação monstro, passeata monstro, comícios monstro, etc. Pois bem, ontem, durante o jogo do São Paulo F.C. contra o Clube Atlético Paranaense, um jogador são-paulino deixou de fazer um gol praticamente feito. O repórter de campo se encarregou, então, de informar:

Nossa, errou esse gol e levou uma bronca monstra de Muricy.

Agora, digam: que tipo de bronca merece esse repórter?…


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Mas
Postado por Prof. Sacconi, 27 Agosto, 2008   

Os gaúchos interpretam mal a regra de pronúncia enunciada no post anterior. Lá pelo Rio Grande do Sul se ouve “mâs”. A regra diz que toda vogal que antecede fonema nasal deve soar fechada. Daí por que temos lema, senha, coma, soma, dona, lenha, etc. Não há sequer uma vogal aberta, no português do Brasil, quando vem seguida de fonema nasal. Reparem: nem uma! Ora, em mas, o fonema nasal vem antes da vogal, e não depois. Então…


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Roraima
Postado por Prof. Sacconi, 27 Agosto, 2008   

Uma emissora de televisão insiste em usar e divulgar a pronúncia “Roráima”. Esse comportamento é de uma primariedade impressionante! Ignoram um fato elementar da língua portuguesa, o que, aliás, não é novidade nenhuma.

Todo ditongo ai que antecede fonema nasal soa fechado, e não aberto. Portanto, pronunciamos pâina, fâina, andâime, Jâime, polâinas, Elâine, Gislâine e, naturalmente, Rorâima. O mais engraçado é que os locutores dessa mesma emissora dizem Teodoro Bâima. Ora, se dizem Bâima, por que diabos dizem “Roráima”? Ninguém explica, porque não tem explicação. Falam em pronúncia dos índios da região, como se os índios fizessem norma, como se os índios fossem um paradigma seguro de pronúncia das palavras portuguesas. Aliás, essa emissora de televisão é a mesma que certa vez apresentou um programa sobre o mais famoso rei egípcio, tratando-o por “Queóps”. É muita primariedade!


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Sida
Postado por Prof. Sacconi, 27 Agosto, 2008   

É esta a sigla que nós, brasileiros, deveríamos usar, assim como fazem todos os povos latinos, e não aids, que é sigla inglesa. Aqui, os jornalistas, além de usarem aids, em vez de sida (síndrome da imunodeficiência adquirida), pronunciam a sigla inglesa como se fosse portuguesa. Se pelo menos dissessem êids, ainda vá lá. Cometem ainda outro equívoco: dão à síndrome o status de nome próprio (Aids). Nomes de doenças e de síndromes não precisam vir com inicial maiúscula. Fizeram o mesmo com sars, que, aliás, deveria ser srag.

Ontem o Sr. Jô Soares entrevistou a Misse Angola, que, além de usar sida, obrigou o entrevistador a dizer também sida. Não consigo entender por que só nós, entre todos os povos latinos, não usamos sida. Os brasileiros não têm a menor idéia do que seja sida. Culpa dos jornalistas (mais uma vez).


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Pôr do Sol
Postado por Prof. Sacconi, 26 Agosto, 2008   

É assim que escreve, ou seja, sem hífen e de preferência com S maiúsculo (pôr do Sol), que é, aliás, como fazem os portugueses. Quem usa ou recomenda a grafia com hífen, pôr-do-sol, tem de ser coerente e usar ou recomendar também “nascer-do-sol”. Dia desses vimos uma frase que nos deixou ao mesmo tempo entusiasmado e esperançoso:

De todos os fenômenos celestes, o mais visível é o nascer e o pôr do Sol.

A Editora Abril lançou recentemente o seu Guia Brasil, em que destaca uma lista dos poentes mais bonitos em nosso país. E anunciou:

O melhor do “pôr-do-sol”.

Que tal lançar para breve também

O melhor do “nascer-do-sol”?…


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Alto mar
Postado por Prof. Sacconi, 26 Agosto, 2008   

Sem hífen é o absolutamente correto, mas o Vocabulário Ortográfico registra com hífen: alto-mar, o que é uma desnecessidade. Alto mar é rigorosamente o mesmo que mar alto: Navegar em alto mar ou Navegar em mar alto é absolutamente a mesma coisa; estar em alto mar ou estar em mar alto não deixa de ser, rigorosamente, a mesma coisa. Os que grafam e registram alto-mar deveriam manter a coerência, grafando e registrando também “mar-alto”. E por que não o fazem? Porque se trata de uma tolice, tão grande quanto grafar alto-mar, que só não é incorreto porque tem registro oficial. Só por isso. Mas já passou da hora de o Vocabulário corrigir essa e outras tolices que registra. Por que não olhar para os espanhóis, que escrevem alta mar? Por que não copiar os franceses, que escrevem haute mer? Copiar, às vezes, é salutar. (E é tão fácil!…)

Os que escrevem alto-mar deveriam ser, no mínimo, coerentes. Assim, deveriam escrever também “alto-Egito”, “alto-Volta”, “alto-Amazonas”, “alto-Madeira”, “alto-Tietê”, etc. Como todo o mundo sabe que brincadeira tem hora, ninguém ainda ousou cometer asnices desse tipo. No entanto, alto-mar está lá, com registro e tudo. Eita, Brasil!


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Caráter - Carácter
Postado por Prof. Sacconi, 24 Agosto, 2008   

A partir do primeiro dia de janeiro de 2009, poderemos escrever de duas formas: caráter, de plural carateres (té) ou carácter, de plural caracteres (té). Assim, podemos eliminar a excrescência, inventada por algum internauta apedeuto, que é caractere, forma incompreensivelmente abonada pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), o que não chega a ser surpresa: esse Vocabulário registra tantas outras tolices. O que fez o internauta apedeuto? Viu em algum lugar que o plural de caráter era caracteres e, para designar uma letra, limitou-se, na sua insipiência, apenas a retirar o s final, criando a “maravilha” caractere.

Bem, a partir do ano que vem também podemos ter mau-caráter (de plural maus-carateres) e mau-carácter (de plural maus-caracteres). Todos vocês estão cansados de saber que o mundo está cheio de maus-carateres (principalmente em algumas universidades brasileiras)…

Por falar em maus-caracteres, recentemente no programa Videoshow, da Rede Globo, o autor da novela A Favorita, ao comentar a índole de algumas personagens, disse:

A Flora e o Silveirinha são dois mau-caráteres.

Mas não é apenas nas novelas que se vêem maus-caracteres 

(E assim, velho amigo Fábio Costa, respondo à sua pergunta, agradecendo a colaboração.)


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Outra “por cada”
Postado por Prof. Sacconi, 24 Agosto, 2008   

Já tratei dessa cacofonia aqui. Afirmei, então, que há ocasiões em que se pode evitá-la, há outras que não. No trecho abaixo, de um jornalista, o “cada” poderia perfeitamente ser eliminado, escapando, assim, à cacofonia: 

Rio - A Justiça Eleitoral obrigou a ex-governadora Rosinha (PMDB) a utilizar o sobrenome Garotinho em todos os materiais de propaganda de sua campanha à prefeitura de Campos. A ex-governadora vinha usando apenas “Rosinha” nos adesivos, placas e santinhos, mas o juiz Pedro Henrique Alves, da 76ª Zona Eleitoral, de Campos, determinou ontem que ela passe a utilizar o nome completo. O prazo é de 72 horas para recolher todos os materiais nos quais não aparecem o sobrenome Garotinho. Se não cumprir a determinação, ela terá de pagar multa de R$ 5 mil por cada dia de desrespeito à ordem judicial.


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