Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Interstício
Postado por Prof. Sacconi, 31 Outubro, 2008   

Embora seja essa a grafia correta da palavra, há muita gente que usa “intertício”. Reparem neste texto emitido pela câmara dos deputados:

O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o “intertício” mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal.

Num edital da Universidade Federal do Amapá:

Poderão inscrever-se no Processo Seletivo Suplementar (Vestibulinho) para ingressar nesta Universidade, candidatos que estejam regularmente “matriculado” no Ensino de Graduação em outra Instituição, congêneres ou afins dos Cursos ofertados por esta IFES (incluindo-se os Campi Norte e Sul), que já concluíram no mínimo 25% dos estudos de seu curso de origem e ainda os graduados no “intertício” mínimo de 3 (três) anos e máximo de 10 anos da sua conclusão.

Pois é.


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Devolvido “de volta”
Postado por Prof. Sacconi, 31 Outubro, 2008   

Visível redundância. Recentemente, uma loja de eletrodomésticos anunciou assim:

Satisfação garantida ou seu dinheiro devolvido “de volta”.

Quem acreditou?…


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Cateter
Postado por Prof. Sacconi, 31 Outubro, 2008   

Como pronunciam vocês essa palavra? “Catéter”? Errado. Como pronunciam vocês o plural dessa palavra? “Catéteres”? Errado. Como pronunciam médicos e repórteres ambas as palavras? “Catéter”, “catéteres”. Errado. Não há cristão que faça médico brasileiro pronunciar corretamente nem o singular (cateter, que rima com mulher) nem o plural (cateteres, que rima com mulheres). Se um dia vocês encontrarem algum médico (apenas um) que pronuncie corretamente essa palavra, por favor, avisem-me com urgência: o prêmio é grande!… E muito cuidado, ao se submeterem a uma cirurgia com médico que diz “catéter”, “catéteres”! O perigo está justamente em ele usar um instrumento que não existe…


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Ajuntar e Juntar
Postado por Prof. Sacconi, 30 Outubro, 2008   

Há quem use um verbo pelo outro. Ambos significam reunir, acumular, mas só ajuntar se usa com objeto direto: ajuntar experiência, ajuntar dinheiro, ajuntar fortuna, ajuntar os trapos, ajuntar algo do chão, etc.

Juntar se usa quando existem objeto direto e objeto indireto: juntar o útil ao agradável, juntar provas aos autos; juntar esforços contra a fome.

Pronominalmente só se usa juntar-se:

Junte-se aos bons e será um deles!

Juntei-me aos que exigiam o fim da impunidade.

Chrysler pode juntar-se à GM ou à Renault-Nissan.

Alguns dicionários não estabelecem a diferença.

No caderno de esportes do JB, saiu esta manchete, após uma acachapante derrota do Flamengo, no Maracanã:

Após derrota para Atlético-MG, Fla tenta “juntar” os cacos

Numa publicação especializada, encontramos isto:

Como “juntar” um patrimônio de R$ 1 milhão?

“Juntar” R$ 1 milhão é um sonho de muita gente. Porém, se você não tem paciência para esperar, ou não consegue poupar nada no final do mês e não está disposto ao sacrifício envolvido neste tipo de estratégia financeira, então sua melhor chance de alcançar este objetivo é jogando na Mega Sena.

E a “Mega Sena” continua fazendo milionários…


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“Houveram” dois
Postado por Prof. Sacconi, 30 Outubro, 2008   

Quem gosta de futebol, no Brasil, está condenado a ter ferida a orelha (agora já não é ouvido) a todo o instante. A Band tem um programa de esportes ao meio-dia que ora faz rir, ora faz chorar. Faz rir, quando abre a boca um ex-jogador de futebol, hoje “comentarista”; faz chorar, quando falam mal do meu time… Hoje, por exemplo, não foi só o “comentarista” que me fez rir. Há no programa também um médico, que milita no meio jornalístico esportivo no mínimo há quarenta anos. Estavam todos comentando o pênalti do jogo de ontem entre o Palmeiras e o Goiás. Quando chegou a vez de o médico dar sua opinião sobre o lance, veio a pérola:

No meu modo de ver não houve só um pênalti, “houveram” dois.

Se eu estivesse numa cadeira, fatalmente, teria caído. Como não estava, me afundei (no sofá, de vergonha)…


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A fogo lento
Postado por Prof. Sacconi, 29 Outubro, 2008   

É essa a expressão legitimamente portuguesa, e não “em” fogo lento. Portanto:

Assar o leitão na brasa, a fogo lento.

Depois de ferver a água, deixe cozinhar a fogo lento por vinte minutos.

Cozinhe a fogo lento por quatro horas, até a carne ficar bem macia.

No Brasil, todavia, até negociações se fazem “em” fogo lento.


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“Auto-falante”
Postado por Prof. Sacconi, 29 Outubro, 2008   

“Auto-falante”Há pessoas assim. Há pessoas que pensam que não existe alto-falante; para elas o que existe de verdade é “auto-falante”, ou seja, falante para auto(móveis). Que maravilha! Que coisa linda! Reparem neste título de notícia:

Tunado de verdade: Hyundai Genesis 17 “auto-falantes”

E, agora, reparem no que vem abaixo desse título de notícia:

O sistema de som preparado pela DUB equipou o Hyundai Genesis com 17 “auto-falantes” e módulos de potência da Alpine. Este sistema totalizou com 528 Watts de potência de som.

O sistema de som pode ser potente; mas o redator… bem, esse está precisando de um Viagrazinho…


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A gás
Postado por Prof. Sacconi, 28 Outubro, 2008   

Como gás é palavra masculina, o a fica sem acento nessa locução: carro a gás. Apesar de tudo, lojas e mais lojas andam vendendo produtos “à” gás, para – evidentemente – todos nós nos queimarmos…

Eu sempre digo: Se não sabe usar o acento, melhor que não use nunca. A omissão, pelo menos, faz-nos absolver o escritor, pelo esquecimento.

Reparem como se vêem alguns anúncios de produtos vendidos a gás por este Brasil fora:    Turbinas à gás e ciclos combinados

LAREIRA À GÁS C/PEDRAS VULCÂNICAS

Cadeira Secretária Office Giratória com Alavanca Manual à Gás Preta - Importado

Cromatógrafo à gás Master GC Dani            

Confira os detalhes do Cromatógrafo à Gás Master GC (Gas                 Cromatograph) e surpreenda-se.

Há quem já esteja por demais surpreso…


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Eclampsia
Postado por Prof. Sacconi, 28 Outubro, 2008   

É essa a prosódia registrada pelos bons dicionários e a única vista nos dicionários portugueses. O Vocabulário Ortográfico também registra eclâmpsia, mas convém que se diga: trata-se de prosódia meramente popular. Um jornal, entre uma forma gramatical e outra, popular, deve escolher qual? Naturalmente, a gramatical. Mas o jornalismo brasileiro, sempre maravilhoso, opta sempre pelo “surreal”. No site da revista Veja se vê isto:

Diagnóstico da pré-eclâmpsia com exame de sangue 

 

 

 

As grávidas poderiam saber se correm risco de entrar em pré-eclâmpsia muito antes dos sintomas aparecerem, apenas com uma amostra de sangue. É o que revela um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Bristol e publicado no Journal of Clinical Science nesta terça-feira. Segundo o estudo, é possível diagnosticar a doença a partir da medição do nível da proteína VEGF165b na 12ª semana da gravidez. De acordo com os resultados, neste período, as mulheres com gestações normais apresetaram níveis maiores da proteína, enquanto as mulheres que desenvolveram pré-eclâmpsia não têm nenhuma elevação. Para os pesquisadores, a partir dessa descoberta, a doença, que costuma aparecer entre o segundo e terceiro trimestre de gestação, pode ser diagnosticada logo nos primeiros três meses de gravidez.


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Agora “de” pouco
Postado por Prof. Sacconi, 28 Outubro, 2008   

No interior de São Paulo é muito comum ouvirmos essa expressão, que, na norma culta, substitui-se por agora há pouco:

Ela chegou agora pouco.

Eu a vi agora pouco, lá na praça.

Há, ainda, quem escreva agora “a” pouco, como fez um jornalista:

George W. Bush deixou agora “a” pouco o Iraque

George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, deixou agora “a” pouco o Iraque. Ele chegou de surpresa à base aérea de Al Assad, no oeste do país. 

Eis o desabafo de um universitário (talvez depois de ter lido essa notícia): 

Senti agora “a” pouco uma súbita saudade do meu primeiro ano de faculdade.

Se se formou, foi injustiça…


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