Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Eunice Durham - 2
Postado por Prof. Sacconi, 30 Novembro, 2008   

Às vezes, outras pessoas conseguem traduzir em palavras melhor os nossos sentimentos; outras vezes, elas convergem nos mesmos pontos de vista. Vejam, por exemplo, esta carta de um leitor da Veja, geógrafo e professor de Parnaíba, PI:

A entrevista com a professora Eunice Durham é bem oportuna, pois mostra claramente a hipocrisia que há nos cursos de pedagogia que ensinam teorias dos papas da educação, como Piaget, Vygotsky, Paulo Freire, entre outros, sem promover a real inserção do candidato a professor na prática diária do seu ofício. Lamentavelmente, o ensino superior brasileiro não acordou para a realidade: estamos entre os piores em educação no mundo e sem um prêmio Nobel sequer.

E pensar que certos “professores” insistem em levar a seus alunos Avran Noam Chomsky, Jacques Lacan, Roland Barthes, André Martinet, etc., vangloriando-se disso, mas não conseguem fazer com que eles saibam distinguir um sujeito de um objeto direto. Freud, que foi mestre de alguns desses lingüistas, tem boa explicação para isso… Alias, nessa área, sabem vocês quando vamos ganhar um Nobel?…

Outro professor escreve, na mesma revista:

Digo aos meus alunos: quando o médico erra, o paciente morre na hora. Mas o mau professor aleija para o resto da vida.

De maus professores e maus-caracteres certas universidades brasileiras estão cheinhas, disso vocês estão cansados de saber. Eles também estão cansados (mas de fazer aleijados…).


Leia mais...
 
Que perguntinha sem-vergonha!
Postado por Prof. Sacconi, 29 Novembro, 2008   

Não sei o que exatamente jornalista brasileiro tem contra o uso do artigo. Não há cristão que faça jornalista brasileiro usar bem o artigo, palavra tão pequena, palavrinha tão humilde quão desrespeitada. Reparem na pergunta de um de nossos jornalistas a um entrevistado e depois reparem na resposta (o entrevistado parece conhecer português melhor que o jornalista, aliás, o que não chega a ser nenhuma novidade):

Terra - É necessário que Estados Unidos e Europa se recuperem para que Brasil também possa se recuperar?

Johnson - Se há uma recuperação na Europa e nos Estados Unidos, isso terá efeitos muito rápidos no Brasil. Então, no Brasil, pode acontecer, de no final das contas o País, ter entrado tarde e saído cedo da crise.

Teria sido muito difícil usar os Estados Unidos, a Europa, o Brasil, que foi como o entrevistado usou? Sim, deve ter sido muito difícil. Para jornalista brasileiro tudo é muito difícil. Até mesmo saber como usar um simples artigo, tão singelo…


Leia mais...
 
“Um” mil
Postado por Prof. Sacconi, 28 Novembro, 2008   

Antes de mil não se usa um nem uma. A razão é elementar: mil é palavra de plural; um é palavra de singular. Singular e plural são como água e óleo: não se misturam. Muita gente diz e escreve “um mil” reais e até “hum mil” reais. Ora, o Brasil foi descoberto em mil e quinhentos ou em “um” mil e quinhentos? A II Guerra Mundial começou em mil novecentos e trinta e nove ou em “um” mil novecentos e trinta e nove? É só pensar um pouco, para não cometer a asneira. Há, porém, muitos que não pensam, principalmente jornalistas. Um deles escreveu isto no Diário de S. Paulo de hoje:

Nicéia oferece R$ 1mil para quem ajudar a achar Pitta

Nicéia Camargo , ex-mulher do ex-prefeito Celso Pitta, está oferecendo uma recompensa de R$ 1 mil para quem der informações sobre o paradeiro de seu ex-marido, que teve a prisão decretada pela Justiça pelo não pagamento de pensão alimentícia.

Há muito mais pessoas merecendo cadeia por aí…


Leia mais...
 
Ponto de vista
Postado por Prof. Sacconi, 27 Novembro, 2008   

Essa expressão não se grafa com hífen e faz no plural pontos de vista. Visitando a página inicial de uma editora de livros didáticos e de revistas especializadas em língua portuguesa, encontrei “pontos de vistas”:

Unindo os pontos de vistas de dois autores, cada uma das narrativas oferece uma pérola de intensidade e divertimento ao jovem leitor.

Quem faz visita, faz visita a algum lugar. Todos nós fazemos visitas a zoológicos, a museus, a hospitais, às cozinhas dos restaurantes, e nunca “em” zoológicos, “em” museus, “em” hospitais, “nas” cozinhas dos restaurantes.  

Essa mesma editora, de livros didáticos e de revistas especializadas em língua portuguesa, na sua antiga página Web, pedia gentil e erroneamente a todos que a acessavam:

Faça uma visita na nossa editora.

Vocês farão?…


Leia mais...
 
A língua e a Globo
Postado por Prof. Sacconi, 27 Novembro, 2008   

Blumenau vive uma tragédia. Mas não é apenas Blumenau que está sofrendo com as chuvas e as enchentes. Há outras: Itajaí, Gaspar, Camboriú, etc. Pois um dos apresentadores de telejornais da Globo usou esta frase para nos comunicar o fato:

Blumenau é uma das cidades que mais “sofreu” com as enchentes.

Ora, se não é apenas Blumenau que está sofrendo com as enchentes, a língua manda que o verbo vá ao plural:

Blumenau é uma das cidades que mais sofreram com as enchentes.

Ao entrevistarem um eletricista, eles colocaram na base do vídeo uma palavra desconhecida da língua portuguesa: “eletrecista”.

É a ignorância grassando (mas sem graça nenhuma…).

Que líder!


Leia mais...
 
“Rosa-choque”
Postado por Prof. Sacconi, 26 Novembro, 2008   

Eu também gostaria que essa palavra estivesse registrada no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), mas não está. Em seu lugar preferiram registrar rosa-shocking. Portanto, esta manchete do provedor Terra, infelizmente, não é português:

Craque francês lança chuteira “rosa choque”. (Esqueceram o hífen.)

Só é português, para o VOLP, rosa-shocking. Mas… o povo saberia ao menos escrever corretamente o nome dessa cor que ele conhece muito bem?

(Não, não precisam se incomodar de me dar resposta imediata! Respondam-me daqui a três ou quatro dias…)


Leia mais...
 
Santa Bárbara d’Oeste
Postado por Prof. Sacconi, 26 Novembro, 2008   

Nome de uma das mais simpáticas cidades do interior paulista, famosa por suas lindas (e inteligentes) mulheres. Repare na grafia: com d’ (e não com D’). No interior de qualquer locução substantiva própria, todas as palavras átonas se grafam com inicial minúscula. Confira: Afogados da Ingazeira, Santo Antônio d’Aldeia, Dias d’Ávila, Estrela d’Oeste, conde d’Eu, Olho d’Água das Flores, Rio d’Una, Rápido d’Oeste, Joana d’Arc, Antônio d’Alembert, etc.

Numa telenovela de famosa emissora, viu-se estampado na estação ferroviária da cidade cenográfica:

Pau D’Alho.

E saber que tudo é tão simples!

Hoje, na Folha Online:

Manuela D’Ávila recorre ao TSE contra multa por propaganda antecipada

A deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B-RS) recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pedindo cancelamento de multa por propaganda antecipada na eleição municipal de Porto Alegre (RS). Manuela disputou a Prefeitura de Porto Alegre em outubro, mas não passou para o segundo turno.

Manuela d’Ávila: tão novinha e já tão velha…


Leia mais...
 
Atentem para isto
Postado por Prof. Sacconi, 25 Novembro, 2008   

Achei que seria importante vocês tomarem conhecimento desta notícia da Vejaonline, para saberem a quantas anda o sistema educacional no Brasil. Leiam e reflitam! 

Brasil cai quatro posições em ranking da Unesco

25 de novembro de 2008

O Brasil caiu do 76.º para o 80.º lugar no ranking de desenvolvimento da educação, segundo o relatório anual que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulga nesta terça, em Genebra. O Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2009 mostra que o principal entrave ao desenvolvimento brasileiro é a taxa de repetência, que diminuiu de 24% para 19% entre 1999 e 2005, mas ainda é uma das mais altas do mundo e a segunda maior da América Latina. Apenas Suriname, Nepal e 12 países africanos têm índice de repetência maior.

Na classificação geral, o Brasil ficou atrás de vários países da América Latina, entre eles Bolívia (75.º lugar), Equador (74.º), Venezuela (69.º) e Paraguai (68.º). Em primeiro lugar ficou o Cazaquistão, seguido por Japão, Alemanha e Noruega. Em último lugar na classificação, que incluiu 129 países, está o Chade.


Leia mais...
 
Uma questãozinha
Postado por Prof. Sacconi, 25 Novembro, 2008   

Escreve-me um aluno do ensino médio para dizer que tanto ele quanto a professora ficaram em dúvida quanto à resposta correta do teste abaixo. Tentarei explicar item por item: 

“Assinale a opção em que há erro na indicação por extenso do numeral ordinal:

a)700º - septingentésimo

b)300º - tricentésimo

c)70º - septuagésimo

d)80º - octagésimo

e)900º - nongentésimo” 

As acepções a e c não estão incorretas, embora eu prefira as grafias sem p, mais atuais: setingentésimo e setuagésimo. A acepção b também não está incorreta, já que tricentésimo coexiste com a forma trecentésimo. A acepção e também está correta, porque nongentésimo coexiste com noningentésimo. Portanto, a opção a ser marcada é a d, já que a forma correta é octogésimo.

Tenho, porém, uma observação a fazer ainda sobre a elaboração desse teste. Todos os números ordinais devem vir com o ponto (e não com um tracinho). Notem que aquele que elaborou o teste deixou de usar o ponto, tão necessário aí quanto usar octogésimo


Leia mais...
 
Pasmo e Pasmado
Postado por Prof. Sacconi, 24 Novembro, 2008   

Embora pasmo seja substantivo, tem sido usado por pasmado na língua cotidiana. Não recomendamos tal emprego na linguagem elegante ou mais bem-cuidada, ainda que venha com o abono de alguns bons escritores, que também vacilaram e ainda vacilam. Alguns podem até ficar “pasmos” com esta nossa posição, mas os que já nos conhecem de longa data, com certeza, não ficarão pasmados


Leia mais...
 
« Próximos