Blog do Prof. Sacconi

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Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Um milhão (outra vez)
Postado por Prof. Sacconi, 7 Dezembro, 2008   

Os jornalistas brasileiros insistem em não ser razoáveis. Reparem nesta manchete de O Estado de S. Paulo:

Com a crise, “vão faltar” 1 milhão de empregos no Brasil em 2009

A pobreza de conhecimento da língua dos jornalistas brasileiros é tão evidente, é tão preocupante, é tão avassaladora, que eles continuam insistindo. Reparem na continuação da notícia:

A desaceleração da economia brasileira  fará com que “deixem de ser criados” 1 milhão de empregos no próximo ano

Como confiar nesse tipo de jornalistas? Que diabos de formadores de opinião querem ser eles?


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“Tira-teima”
Postado por Prof. Sacconi, 7 Dezembro, 2008   

A Globo se encarregou de divulgar a palavra “tira-teima”, que nunca existiu na língua portuguesa. E um dicionário (que os incautos consideram a obra-prima da lexicografia brasileira) agasalhou a inépcia. Imaginem: a Globo, a emissora do “Roráima”, servindo de padrão para o estabelecimento de novas ortografias.

Se vocês consultarem qualquer dicionário português e qualquer dicionário brasileiro confiável não encontrarão o verbete “tira-teima”, mas apenas tira-teimas, assim como vocês não encontrarão em nenhum dicionário, seja português, seja brasileiro, o verbete “tira-dúvida”; só encontrarão tira-dúvidas. Ora, o dicionário que acolhe “tira-teima” tem por obrigação e coerência acolher também “tira-dúvida”. Mas por que nenhum deles o faz?

A revista Auto Esporte, que é da Editora Globo, deste mês, traz à página 6 este título: O “tira-teima” da economia.

Por mais que a Globo tenha difundido essa tolice, por mais que um dicionário tenha registrado essa asnice, não farão que a língua portuguesa acolha aquilo que no seu mundo não existe. Os jornalistas brasileiros, no entanto, embarcaram nessa canoa furada. Aliás, eles sempre embarcam…


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“Em alerta”
Postado por Prof. Sacconi, 6 Dezembro, 2008   

O desconhecimento das normas do idioma faz com que jornalista brasileiro contorne o problema, em vez de enfrentá-lo. Reparem por esta manchete da Folha de S. Paulo de hoje:

Aeroportos na Índia estão em alerta; suspeitos são presos

Para que usar “em alerta”, se a língua nos possibilita empregar apenas alerta, adjetivo invariável, quando em função predicativa?


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“Pixar”
Postado por Prof. Sacconi, 6 Dezembro, 2008   

Pode parecer incrível, mas cometer erro primário de ortografia num grande jornal, no Brasil, é coisa comum. Qualquer estudante do quinto ano do ensino fundamental sabe que piche se escreve com ch, assim como todos os seus derivados: pichar, pichação, pichado, etc. Jornalista brasileiro, no entanto, contraria todas as normas da língua, talvez desejando edificar um idioma próprio, movido pelos “sábios” Manuais de Redação, a maioria dos quais contêm mais pérolas que diretrizes corretas. Eis a maravilha que encontramos na Folha de S. Paulo, hoje:

Casa do ex-prefeito Celso Pitta, na região dos Jardins, em São Paulo, foi pixada hoje com a frase: “Cadeia é só para pobre”

Como é que os jornalistas brasileiros desejam ser formadores de opinião confiáveis, revelando, todos os dias, tamanha pobreza de conhecimento da própria língua? Jornalista que escreve “pixada” equivale a médico que diz que o coração fica no umbigo…


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Sextanista
Postado por Prof. Sacconi, 5 Dezembro, 2008   

Quem está cursando o sexto ano de qualquer curso escolar se diz sextanista, e não “sextoanista” nem muito menos “sexto-anista”. Recentemente, o MEC quase que descredenciou quatro faculdades de Medicina por incompetência. Médicos andam formando-se por aí, prontos para mutilar, aleijar, matar, quando não para assassinar a língua…

Surgiu a notícia de que o aspartame pode ser um dos causadores do mal de Alzheimer. Um estudante de Medicina escreve a uma geneticista para conhecer-lhe a opinião. Desta forma:

Sou sexto-anista de medicina. Existe alguma comprovação de que o Aspartame de fato é capaz de desencadear esses efeitos? Como não encontrei referências em revistas respeitadas, gostaria de saber sua opinião. 

E pra que dar status de nome próprio ao aspartame? Boa parte dos médicos acham que conhecer a língua é uma questão de quinta importância. Essa crença nasce já nos cursos preparatórios aos vestibulares, que desprezam as aulas de língua portuguesa. Esquecem-se não só médicos, mas engenheiros, economistas e quejandos de que a competência ou a credibilidade começam justamente pela pena e pela boca.


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“Sífu”
Postado por Prof. Sacconi, 5 Dezembro, 2008   

É com certo constrangimento que comento esse caso aqui. Até a posse do atual presidente, seria inimaginável ouvir da boca de tamanha autoridade, em público, um termo chulo. Mas com o atual dono do posto tudo pode acontecer. Não basta ser apenas inteligente (ou esperto?) nem ter 70% de aprovação; há que se ter compostura, há que se ter respeito, há que se ter dignidade. Afinal, é o nosso representante que está ali. Eu me senti envergonhado e estou me sentindo assim até agora. Houve quem risse, naquela reunião de engravatados. Ridículo!

Quando jornalistas quiseram representar graficamente o palavrão, também não souberam. Teria de ser “sifo”, que rima com fico, e não “sífu” (em português não existe sequer uma palavra paroxítona terminada em -u, ao menos de uso corrente). Portanto, Reinaldo Azevedo errou, ao escrever isto:

O discurso que Lula fez ontem, aí no Rio (posts abaixo), explicita por que há um livro como este. Como disse um leitor, o Brasil já teve o dia do “Fico”. O 4 de dezembro de 2008 entrará para a história como o dia do “Sífu”.


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Ar-condicionado e Ar condicionado
Postado por Prof. Sacconi, 4 Dezembro, 2008   

Não se devem confundir esses dois conceitos. Ar-condicionado é o aparelho ou sistema que controla a umidade e a temperatura do ambiente; é o mesmo que condicionador de ar. Assim, podemos usar:

O técnico já chegou, para consertar o ar-condicionado?

Seu ar-condicionado é importado?

Ar condicionado, por sua vez, é uma expressão e identifica o ar que sai do ar-condicionado; pode ser quente ou frio. Assim, podemos usar:

Qualquer ar condicionado me faz mal.

Sair do ar condicionado para a rua me foi fatal para pegar o resfriado.

Vejam, agora, esta notícia retirada do Diário de S. Paulo e tirem suas conclusões se o jornalista desta vez acertou ou (novamente) errou:

Às vésperas de se aposentar, Edmundo se envolveu em mais uma confusão. Na saída do treinamento do Vasco, em São Januário, o atacante bateu o seu carro em uma escada e atingiu um funcionário contratado por empresa terceirizada para consertar “um aparelho de ar-condicionado”.


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Soletrando
Postado por Prof. Sacconi, 4 Dezembro, 2008   

Ainda sobre a pronúncia das vogais e e o, temos de registrar aqui o que ocorreu num programa de televisão, que promoveu uma competição entre estudantes sobre português. Os participantes tinham de soletrar as palavras dadas. Foi um festival de “ê” e “ô”. E vejam que havia no programa um professor de português, que até tem livros publicados. Foi de estarrecer. Ao perguntarem a um estudante como se escrevia a palavra exceção, lá vinha o participante dizendo: “ê”, xis, cê, “ê”, a, “ô”. E ninguém corrigia! A Educação brasileira vai, de fato, de vento em popa…


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Vitamina E
Postado por Prof. Sacconi, 3 Dezembro, 2008   

As vogais isoladas e e o têm pronúncia sempre aberta: é, ó. Por isso, a sigla TRE se diz assim: tê, erre, é; por isso, o pedido de socorro é feito assim: S.O.S (ou seja, esse, ó, esse), etc.

Ontem, a competente e simpática apresentadora Patrícia Maldonado, ao fazer uma propaganda em seu programa, disse que o produto era enriquecido com vitamina “ê”, que não existe. A referida apresentadora trabalha na Band; mas… e se trabalhasse na TVE? Diria também que a sua emissora se chama tê vê “ê”? Será, ainda, que a casa da simpática apresentadora é iluminada apenas por lâmpadas “ê”?… São perguntinhas marotas, a que eu gostaria que ela mesma respondesse.


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“Puntilândia”?!
Postado por Prof. Sacconi, 2 Dezembro, 2008   

A Somália tem uma região, no Nordeste do país, chamada Puntlândia. Notem bem: Puntlândia. Nossos jornalistas não sabem disso. Pensam tratar-se da “Puntilândia” (país que não existe, ao menos neste planeta) a ver-se por esta notícia, retirada da Folha Online:

Não há o que fazer para deter piratas, diz suposto líder somali

Desesperados para sobreviver e com apoio de autoridades em terra, os piratas somalis não vão ser impedidos de continuar os ataques contra navios na região, afirmou um homem que se identificou como líder pirata em entrevista à qual a rede de TV CNN teve acesso. “Os piratas estão vivendo entre a vida e a morte”, disse o homem identificado como Boyah. “Quem pode pará-los? Americanos e britânicos juntos não podem fazer nada.”

A entrevista, feita em agosto passado por jornalistas da agência de notícias somali Garowe, foi gravada no refúgio pirata de Eyl, uma cidade portuária no território autônomo de Puntilândia, considerado zona sem lei. O pirata disse que os ataques começaram porque a pesca tornou-se difícil na costa depois que pesqueiros estrangeiros esvaziaram o estoque de peixes no local. Os pescadores tradicionais da Somália começaram a atacar os pesqueiros, mas os estrangeiros, bem armados, resistiam às tentativas de assalto, disse Boyah. “Nós fomos para alto-mar e seqüestramos os navios de carga, que são desarmados”, disse o pirata, explicando que nos últimos três anos os ataques a navios acontecem a 130 km da costa.

Muitos países enviaram navios de guerra para a área, mas o pirata disse não estar preocupado, porque “nenhum navio é capaz de ver tudo” e porque a amplidão do mar fornece refúgio contra os radares, que só conseguem, em suas palavras, enxergar por 120 km.

O pirata também não teme uma reação do governo da Puntilândia.

O ministro das Relações Exteriores da Puntilândia negou envolvimento do governo com a pirataria.


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