Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Dodecacampeão
Postado por Prof. Sacconi, 31 Janeiro, 2009   

Quem se torna campeão por dez vezes, geralmente consecutivas, é decacampeão; quem se torna campeão por onze vezes é undecacampeão; quem se torna campeão por doze vezes é dodecacampeão (pronuncia-se dodéca-campeão) o elemento dodeca-, grego, significa doze. Muito bem.  A SKY está fazendo publicidade de seus programas para o mês de fevereiro e (pasmem!) o apresentador está falando em “dôdecampeão”. Meu Deus! Onde foram encontrar isso? Essa gente tira o nosso dinheiro em troca da apresentação de filmes e programas até que interessantes, mas o de que eles gostam mesmo é de fazer a gente rir. Não é preciso nem apresentarem nenhum filme de comédia; ela existe ali naturalmente…


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O VOLP, nossos dicionários e muçarela
Postado por Prof. Sacconi, 31 Janeiro, 2009   

Perguntinhas marotas: Por que o VOLP não registra periclitação, se a palavra é corrente no Brasil? Por que também não registra persuasividade, da mesma forma? Por que o VOLP também não registra o adjetivo pesadelar?

Se pêro-botelho tem acento, por que alguns dicionários dão o plural sem o acento? Se pêros-botelhos tem registro no VOLP com acento, por que alguns dicionários trazem sem acento?

Por que Aurélio registra petróglifo como substantivo feminino, se a palavra é visivelmente masculina?

Por que Houaiss dá perluxo como adjetivo, mas define o termo como se fosse um substantivo masculino?

Uma certeza: vê-se aqui e ali a palavra pashimina, que ainda não consta no VOLP, mas quando constar terá de ser grafada com x (paximina), já que o grupo sh estrangeiro dá x em português. A paximina é um grande xale retangular, de tecido leve, usado pelas mulheres asiáticas, principalmente na Índia.

Quanto a muçarela, de cuja grafia alguns leitores ainda duvidam, não há por que vacilar: a palavra se escreve com ç em português. O grupo zz italiano dá c ou ç em nossa língua.


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Xuí
Postado por Prof. Sacconi, 30 Janeiro, 2009   

Uma de nossas revistas semanais de informação fez recentemente matéria sobre o “arroio Chuí”, repetindo várias vezes a forma “Chuí”, que vigorou até 1943, assim como pharmacia, Goyaz, etc. Mas quem é que hoje escreve pharmacia ou Goyaz? Nem mesmo Bartolomeu Guimarães, personagem de Ronald Golias, o faria.

Embora a grafia seja Xuí desde 1943, alguns dicionaristas, ainda desse tempo, registram “Chuí”. Até o IBGE adota “Chuí”. Se consultassem Caldas Aulete não estariam tão desatualizados. Se consultassem Cândido Jucá também não. Se consultassem a pág. 209 do quinto volume da série Gafite — as gafes da atualidade, de Luiz Antonio Sacconi, também não. (Desculpem-me da falta de modéstia!) Não há autoridade atual séria que defenda a forma “Chuí”, porque ela foi abolida em 1943, quase há um século.

Os jornalistas e também os funcionários do IBGE deveriam saber que, depois de 1943, todas as palavras de origem indígena passaram a ser grafadas com x, nunca com ch: xavante, xaxim, xeréu, xerimbabo, xeripana e, naturalmente, Xuí.

Ah, sim, no Uruguai existe um município de nome Chuy. Mas essa grafia é da língua espanhola, e não da portuguesa. Em 1995 foi criado um município gaúcho que, tendo em vista essa grafia espanhola, intitulou-se “Chuí”, o que não deixa de ser lamentável, pelo descaso com as normas da nossa língua. Sim, porque toda cidade fundada ou todo município criado depois de 1943 têm de ter o registro de seu nome de acordo com as normas da língua. Este, portanto, não é exatamente caso de respeito à tradição ou à secularidade, como são os casos de Pirassununga, Jaboticabal, Bagé, Lages, Cotia, Taboão da Serra, etc. Aliás, também no Uruguai existe uma cidade de nome Paysandu, que ficou conhecida no Brasil por ter sido tomada de assalto em 2 de janeiro de 1865 pelas forças brasileiras comandadas pelo general Mena Barreto. Algumas placas de algumas das nossas vias públicas ainda conservam essa grafia, por terem sido confeccionadas antes de 1943. Em São Paulo, por exemplo, ainda se vê placa assim: Largo do Paysandu, assim como se vê também Rua Goyaz, que fica não muito distante dali. Mas em português atual escrevemos farmácia, Goiás e Paiçandu; só os que ainda estão no tempo do Onça escrevem “pharmacia”, “Goyaz”, “Paissandu”, “Chuí”. E, pelo visto, há muitos que ainda estão vivendo esse tempo no Brasil. 


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Caetano Veloso
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2009   

Frase lapidar do bom baiano: Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta, que a língua portuguesa é uma porcaria, que todo o mundo escreve errado e ninguém reclama.

Ninguém, Caetano?!


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Déficit
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2009   

Essa é a forma oficial, com registro no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), mas ainda preciso crescer para poder entender por que se aportuguesou (?) essa palavra apenas mediante a inserção de um acento, que considero errôneo, já que se trata de forma visivelmente estranha à índole do português. Em nossa língua não existem palavras terminadas dessa forma (t sem amparo em vogal). Assim, deveríamos fazer como os lusitanos: aportuguesar realmente a palavra e escrever défice. Isso seria o lógico. Mas… o VOLP é lógico?


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Os Opalas
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2009   

Por que nomes de veículos não variariam no plural? Só porque os jornalistas brasileiros querem? É pouco, muito pouco. Numa das páginas da revista QuatroRodas se leu isto:

 

O mais lapidado dos Opala.

E o jornalista que escreveu isso? Já está lapidado?


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Boa, jornalista!
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2009   

Vejam que notícia os nossos jornalistas nos trazem. Avaliem o nível de conhecimento do jornalismo brasileiro, por isto que traz hoje o Diário de S. Paulo:

   

A combinação doces e dentes traz problemas que vão além das cáries. A doença periodontal, aquela que deteriora a gengiva e faz os dentes amolecerem e caírem ao longo dos anos, é acelerada cerca de três vezes em pacientes com diabetes fora do controle.

O presidente da Sociedade Brasileira de Periodontia e professor da USP, Giuseppe Alexandre Romito, explica que diabético não controlado tem mais dificuldade de controlar a periodontia. “O que sabemos agora é que a periodontia também dificulta o controle de diabetes”, diz.

A periodontia é uma inflamação que atinge a gengiva quando a higienização não é feita de forma correta. Aos poucos, se perde o suporte do dente e, no final, os dentes caem. Como a diabetes diminui a capacidade do corpo de se regenerar, há uma aceleração do processo. Por outro lado, com periodontia, o açúcar pode entrar direto da boca para vasos sanguíneos e aumentar os níveis de diabetes no paciente.

 Teria mesmo o professor da USP confundido periodontia, uma especialidade, com periodontite, a doença do periodonto? Tirem vocês suas conclusões!


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Maioria absoluta
Postado por Prof. Sacconi, 28 Janeiro, 2009   

Ainda não dei por encerrado o resultado da enquete, mas, até o momento, mais de quinhentos optaram pela mensagem 2; apenas três optaram pela mensagem 1, o que — convenhamos — é uma enormidade!… Dou-me por satisfeito.


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Despercebido e o Houaiss
Postado por Prof. Sacconi, 27 Janeiro, 2009   

É com tristeza que percebo que o Houaiss inventa mais uma vez. Ele (pasmem!) dá desapercebido como sinônimo de despercebido, numa invenção digna do mais refinado Professor Pardal. Como confiar num dicionário desses, que só traz lambanças? Cada página traz no mínimo três equívocos, podendo chegar a dezenas. Foi-se o tempo em que se chegava a uma livraria e se trazia um dicionário seguro, confiável, sem atropelos nem entulhos. Se vocês forem consultar qualquer dicionário português (sim, lá dos lusitanos) não encontrarão sinonímia entre desapercebido e despercebido. Mas o referido dicionarista brasileiro achou de, unilateralmente, registrá-los como sinônimos. Agora mesmo, o Prof. Evanildo Bechara está contrariando os portugueses e até o Acordo Ortográfico, optando unilateralmente pela grafia coerdeiro, quando no próprio texto do Acordo se recomenda co-herdeiro. Será que nós, brasileiros, somos mesmo os donos da língua e não admitimos interferência de mais ninguém, nem mesmo dos portugueses? Será que os lusitanos irão aceitar as decisões de Bechara, quando os membros da Academia das Ciências de Lisboa se reunirem para elaborar o Vocabulário Português de 2012? Ou teremos que mudar a grafia de várias palavras, novamente, quando isso se der? Espero viver até lá para ver como vai ser.


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Enquete
Postado por Prof. Sacconi, 27 Janeiro, 2009   

Gostaria que todos vocês participassem desta enquete. Imaginem dois funcionários trabalhando na mesma seção, um responsável e o outro irresponsável; um cumpridor de suas obrigações e o outro completamente relapso. Cansado de ver o colega sempre indisposto ao trabalho, diz-lhe o responsável: Colega, quando você vai começar a trabalhar? Não é justo: estou trabalhando por você!

 

O que vocês entendem por essa última frase? O que o espírito apreende imediatamente?

  

1. Que ele está trabalhando em benefício do colega relapso.

  

2. Que ele está trabalhando em dobro, por dois, ou seja, por ele e pelo colega relapso.

 

É importante que vocês participem, porque há “uns e outros” por aí que consideram boa a frase do governo de São Paulo, que é: GOVERNO DE SÃO PAULO — TRABALHANDO POR VOCÊ.

 Não se discute que a preposição por também significa em benefício de. E não serão justamente esses mesmos “uns e outros” que me irão ensinar isso. Não é esse o ponto. Ocorre que esses tais nunca sabem exatamente qual é o ponto. Daí, então, fazem questão de desvirtuar todas as virtudes. São uns pobres diabos, em constante e frenética busca da autoafirmação. Não temos pena deles, absolutamente; temos apenas compreensão…


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