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Uma de nossas revistas semanais de informação fez recentemente matéria sobre o “arroio Chuí”, repetindo várias vezes a forma “Chuí”, que vigorou até 1943, assim como pharmacia, Goyaz, etc. Mas quem é que hoje escreve pharmacia ou Goyaz? Nem mesmo Bartolomeu Guimarães, personagem de Ronald Golias, o faria.
Embora a grafia seja Xuí desde 1943, alguns dicionaristas, ainda desse tempo, registram “Chuí”. Até o IBGE adota “Chuí”. Se consultassem Caldas Aulete não estariam tão desatualizados. Se consultassem Cândido Jucá também não. Se consultassem a pág. 209 do quinto volume da série Gafite — as gafes da atualidade, de Luiz Antonio Sacconi, também não. (Desculpem-me da falta de modéstia!) Não há autoridade atual séria que defenda a forma “Chuí”, porque ela foi abolida em 1943, quase há um século.
Os jornalistas e também os funcionários do IBGE deveriam saber que, depois de 1943, todas as palavras de origem indígena passaram a ser grafadas com x, nunca com ch: xavante, xaxim, xeréu, xerimbabo, xeripana e, naturalmente, Xuí.
Ah, sim, no Uruguai existe um município de nome Chuy. Mas essa grafia é da língua espanhola, e não da portuguesa. Em 1995 foi criado um município gaúcho que, tendo em vista essa grafia espanhola, intitulou-se “Chuí”, o que não deixa de ser lamentável, pelo descaso com as normas da nossa língua. Sim, porque toda cidade fundada ou todo município criado depois de 1943 têm de ter o registro de seu nome de acordo com as normas da língua. Este, portanto, não é exatamente caso de respeito à tradição ou à secularidade, como são os casos de Pirassununga, Jaboticabal, Bagé, Lages, Cotia, Taboão da Serra, etc. Aliás, também no Uruguai existe uma cidade de nome Paysandu, que ficou conhecida no Brasil por ter sido tomada de assalto em 2 de janeiro de 1865 pelas forças brasileiras comandadas pelo general Mena Barreto. Algumas placas de algumas das nossas vias públicas ainda conservam essa grafia, por terem sido confeccionadas antes de 1943. Em São Paulo, por exemplo, ainda se vê placa assim: Largo do Paysandu, assim como se vê também Rua Goyaz, que fica não muito distante dali. Mas em português atual escrevemos farmácia, Goiás e Paiçandu; só os que ainda estão no tempo do Onça escrevem “pharmacia”, “Goyaz”, “Paissandu”, “Chuí”. E, pelo visto, há muitos que ainda estão vivendo esse tempo no Brasil.
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