Blog do Prof. Sacconi

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Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

 
Santo e São
Postado por Prof. Sacconi, 28 Fevereiro, 2009   

Usa-se Santo antes de nome começado por vogal ou h: Santo Antônio, Santo Henrique. Usa-se São antes de nome iniciado por consoante: São Paulo, São João, São Luís. Exceções: Santo Cristo, Santo Tirso, Santo Tomás (que coexiste com São Tomás).


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Sanar e Sanear
Postado por Prof. Sacconi, 28 Fevereiro, 2009   

Convém não confundir. Sanar é restabelecer a saúde de (pessoa), é curar:

Os médicos trabalham incessantemente para sanar seus pacientes.

Sanear é dar condições higiênicas a (coisa), é higienizar:

A prefeitura está saneando os córregos da cidade.

Sanar e sanear são sinônimos, porém, apenas na acepção de reparar, remediar, corrigir:

É preciso sanar (ou sanear) essas injustiças.

O ministro, a tempo, sanou (ou saneou) o erro.


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Alvo
Postado por Prof. Sacconi, 26 Fevereiro, 2009   

Quando figura como predicativo, essa palavra não varia:

Os atacantes sempre são o alvo dos zagueiros.

Num jornal especializado em esportes, porém, apareceu isto:

As chuteiras usadas pelos jogadores do Palmeiras foram “alvos” de crítica por parte do treinador.

Muitos jornais têm sido alvo de crítica. Merecidamente.Uma folha de São Paulo, por exemplo, estampou recentemente em letras garrafais:

Política fiscal e gastos sociais são “alvos” de crítica no 17º Fórum Nacional

E ainda deixaram de colocar ponto na abreviatura de décimo sétimo: 17.º

Que vocês acham? Vai bem o jornalismo brasileiro?


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Aspas
Postado por Prof. Sacconi, 26 Fevereiro, 2009   

Nomes de escola ou de qualquer outra instituição não devem vir entre aspas; basta o uso das iniciais maiúsculas. Portanto:

Escola Estadual Castro Alves,

Casa Rui Barbosa,

Sociedade Amigos de Machado de Assis,

Colégio Dante Alighieri, etc.

As aspas aparecem depois da pontuação somente quando abrangem todo o período:

O culto do vernáculo faz parte do brio cívico.

Caso contrário, a pontuação ficará depois delas:

Napoleão Mendes de Almeida afirmou: “O culto do vernáculo faz parte do brio cívico”.

Quando já existem aspas numa citação, ou numa transcrição, use aspas simples:

“Um espartano, convidado a ouvir alguém que imitava o canto do rouxinol, respondeu firmemente: Já ouvi o rouxinol.”

Citações isoladas podem aparecer sem as aspas:

Uma mãe leva vinte anos para fazer de seu filho um homem, e outra mulher faz dele um tolo em vinte minutos. (Robert Frost.)

Neste caso, ainda existe a opção de pontuação assim:

Uma mãe leva vinte anos para fazer de seu filho um homem, e outra mulher faz dele um tolo em vinte minutos (Robert Frost).

Ou seja, pontuando só no final.


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Avaro e Avarento
Postado por Prof. Sacconi, 20 Fevereiro, 2009   

Convém não confundir os dois conceitos. Avaro (que muitos dizem “ávaro”) é aquele que, alimentando a paixão de juntar dinheiro cada vez mais, é unha-de-fome ou pão-duro em todas as circunstâncias; avarento é aquele que nunca dá nada ou que dá muito pouco.

O avaro só pensa em guardar ou acumular dinheiro, não o usufruindo jamais. É um fanático e motivo de orgulho de todos os herdeiros…

Já o avarento é o que não dá nada de seu ou que dá muito pouco em relação ao que poderia dar. É um mesquinho e o terror dos netos, que chegam a considerá-lo cruel, desumano…

Em suma: o avaro não dá nunca, só pensa na poupança, em acumular; o avarento dá, mas só uma merreca.


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Serasa
Postado por Prof. Sacconi, 18 Fevereiro, 2009   

Serasa é sigla ou pseudossigla de Centralização de Serviços de Bancos S.A. Como a primeira palavra que compõe a locução é feminina (Centralização), a sigla é de gênero feminino: a Serasa.  

Havia antigamente uma fábrica de doces em São Paulo cuja sigla era Pan = Produtos Alimentícios Nacionais. O gênero da sigla era feminino: a Pan. Por quê? Porque o primeiro nome da locução, embora seja masculino (produtos), está no plural. E aí aquela regrinha já não vale. É o mesmo caso de Ceasa (Centrais de Abastecimento S.A.), que é sigla de gênero masculino: o Ceasa, embora Centrais seja palavra de gênero feminino.


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A ser (e a concordância)
Postado por Prof. Sacconi, 18 Fevereiro, 2009   

Usa-se uma ou outra expressão, quando há plural, embora seja preferível a primeira, sempre:

As crianças a ser (ou a serem) matriculadas chegam a cem.

São esses os decretos a ser (ou a serem) assinados pelo governador.

Da mesma forma se procede com a negação:

Ninguém gosta de recessão, a não ser (ou a não serem) os economistas, que têm oportunidade de aparecer.

Ele não tinha amigos, a não ser (ou a não sermos) nós.


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Dito documento
Postado por Prof. Sacconi, 18 Fevereiro, 2009   

Na linguagem forense, campeia a omissão do artigo em caso que a língua não admite. São exemplos colhidos em alguns autos:

Dito documento é falso.

Referida arma não é a do crime.

Mencionada testemunha não é digna de fé.

Aludido material foi encontrado distante do local do crime.

A inclusão de um O ou de um A antes das primeiras palavras de cada frase não ocuparia tanto espaço e revelaria um respeito à língua; por isso, cremos firmemente nessa correção por parte de advogados, promotores e juízes.


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Crer e Acreditar
Postado por Prof. Sacconi, 16 Fevereiro, 2009   

Convém não confundir os dois conceitos. A diferença é sutil e se pode medir nesta frase: Acredito em tudo o que dizes, mas creio que és um impostor.

Isto é: dou inteiro crédito às tuas palavras, mas no íntimo tenho a certeza de que és um vilão.

Também há diferença entre crer em Cristo (crer nEle, no que Ele é ou no que Ele representa) e crer a Cristo (crer no que Ele diz).

Os judeus não creem em Cristo nem creem a Cristo. Não creem em Cristo, porque não O julgam divino; não creem a Cristo, porque julgam que Suas palavras não são dignas de crédito nem são de um ser divino. Todos os discípulos de Cristo a Ele criam, já que não podiam ainda nEle crer. Hoje há pessoas que creem em Cristo, mas não na Igreja; creem a Cristo, mas não na Bíblia. Isto é: não sabem nem mesmo no que creem.


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“Creações” infantis
Postado por Prof. Sacconi, 16 Fevereiro, 2009   

Hoje já não se faz distinção entre creação e criação, como antigamente, quando criar e todas as derivadas só se reservavam para as obras divinas. Os homens apenas “creavam”, faziam “creações”. Hoje se usa criar e derivadas para todos os sentidos. Evoluímos… Por isso, só existem criações infantis, mas ainda há certas confecções que insistem nas suas “creações”. Estão no tempo do Onça.


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