Blog do Prof. Sacconi

Bem-vindo!


Bem-vindo a seu blog de língua portuguesa!
por Luiz Antonio Sacconi.

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Dom e Dona
Postado por Prof. Sacconi, 15 Abril, 2009   

Eu tinha de acrescentar no post 708 que a abreviatura d. ou D. se usa tanto para o homem quanto para a mulher: d. Pedro, D. Isabel, d. Hélder, D. Minervina.


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Ventos alísios
Postado por Prof. Sacconi, 14 Abril, 2009   

Apesar de ser assim há mais ou menos quatrocentos anos, ainda há quem use “alíseos”. No Correio Braziliense, por exemplo, leu-se esta notícia:

O fenômeno El Niño não é somente caracterizado por uma corrente observada junto à costa peruana. É também a combinação entre o aquecimento anormal do Oceano Pacífico conjugado com o enfraquecimento dos ventos alíseos (que sopram de leste para oeste) na região equatorial.

Esses ventos não sopram: cheiram…


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Dona
Postado por Prof. Sacconi, 14 Abril, 2009   

Não se usa artigo antes da palavra dona, que pode vir com inicial maiúscula ou não, indiferentemente. Portanto:

Não vi Dona Maria hoje.

Não conheço Dona Marta nem Dona Dilma.

Não admitindo o artigo, consequentemente, também não admite “à”, como nesta frase infeliz, colhida alhures:

Tive grande prazer em participar das homenagens “à” Dona Sarah Kubitschek.

Convém acrescentar, ainda, que a abreviatura de dona é d., e não “da”. E saber que conheci um historiador que abreviava assim: “dna.”. (Não seria preferível, então, escrever já a palavra por inteiro?)


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“Pastora alemã” - a quem interessar possa
Postado por Prof. Sacconi, 10 Abril, 2009   

Sou obrigado a insistir neste assunto. Quero que saibam que não me interessam opiniões alheias, de leigos ou de pseudoprofessores. Ou melhor, só me interessam na medida em que os argumentos sejam razoáveis, só me interessam na medida em que seus autores tenham também se debruçado sobre o assunto. Sim, porque o assunto parece pueril, mas na realidade é falacioso, cheio de nuances e “pegadinhas”. Reafirmo: não existe a “pastora-alemã”. O que existe é uma pastor-alemão (= uma cadela pastor alemão, ou seja, uma cadela da raça pastor alemão) ou um pastor-alemão fêmea. Foi essa a única conclusão a que cheguei, depois de, na elaboração do dicionário, classificar a raça (como s.m.) e cada espécime da raça (como s.ep.). Lembrem-se de que estamos falando de animais. E é aqui que a coisa pega. Dizem que a Internet está cheia de “pastoras alemãs”. E daí? A Internet também está cheia de muitas outras coisas…

Deixem-me alongar-me um pouco mais sobre este assunto, tratando de outro, também polêmico. Ao final, tirem vocês a inferência que melhor lhes aprouver. É sobre a concordância anos sessentas (em vez de “anos sessenta”, que usam por aí). Foi justamente nesses anos que ocorreu o episódio que passo a relatar. De vez em quando me encontrava com um grande professor e autor que, embora não tivesse vida acadêmica, era tido e havido nacionalmente como um extraordinário linguista. Nesses raros encontros, trocávamos ideias sobre alguns aspectos gramaticais, e eu sabia que ele gostava muito disso. Num deles, levei-lhe o caso de “anos sessenta”, já que estávamos vivendo aqueles anos. Apresentei meus argumentos, ele ouviu atentamente, mas no início me pareceu um pouco cético. Ao final, acabou me dando inteira razão, porque eu estava ali, provando-lhe por a + b, quase matematicamente, que o correto é mesmo anos sessentas (ou anos setentas, anos oitentas, etc.). Ficou tão convencido disso que, já na semana seguinte, escreveu sobre o assunto na coluna que mantinha no jornal O Estado de S. Paulo, chamada Questões Vernáculas. Napoleão Mendes de Almeida era muito criticado pelos “linguistas da oralidade” (esses que defendem a “questã” do “mendingo” e da “mortandela”), mas nenhum deles lhe negou mérito de grande latinista e profundo conhecedor do idioma. Poucos brasileiros, em todos os tempos, conheceram tão profundamente a nossa língua como Napoleão Mendes de Almeida. Pena que esse mestre erudito já não esteja entre nós para dar continuidade à sua excelente coluna… (se é que me entendem).


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Acontecer e Ocorrer
Postado por Prof. Sacconi, 9 Abril, 2009   

Usa-se com a, mas no português do Brasil muito se vê esse verbo regendo com:

Aconteceu aos pais da criança sofrer um grave acidente. (=

 Aconteceu-lhes sofrer um grave acidente.)

Se a verdadeira preposição fosse com, não seria possível a substituição do objeto indireto por lhe. Como o sujeito desse verbo aparece quase sempre posposto, há uma tendência na língua popular de deixarem-no sempre no singular, mesmo que o sujeito esteja no plural, fato semelhante ao que ocorre com existir:

“Acontece” coisas incríveis na política brasileira. (Corrija-se: Acontecem.)

“Acontecia” muitos acidentes nesse cruzamento. (Corrija-se: Aconteciam.)

Neste ano já “aconteceu” muitas coisas na minha vida. (Corrija-se: aconteceram.)

Ocorrer, seu sinônimo, ”sofre” do mesmo mal.


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Acostumar e Costumar
Postado por Prof. Sacconi, 8 Abril, 2009   

Convém não confundir ambos os conceitos. Acostumar é fazer (alguém ou algo) contrair hábito: acostumar os filhos a ler; acostumar o corpo a dormir cedo.

Costumar é ter por hábito, usar ou ser costumeiro, habitual: costumo dormir tarde, costumo me levantar cedo, costumo almoçar ao meio-dia, costuma nevar por aqui nesta época.

Notem: acostumar pede sempre complemento verbal + a + infinitivo; costumar pede sempre um infinitivo. É por isso que aquele que se acostumou a tomar vários aperitivos diariamente costuma morrer de cirrose…


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Pequeno desafio - Solução
Postado por Prof. Sacconi, 5 Abril, 2009   

Antes de tudo, quero agradecer a participação de vocês. Não esperava tanta gente interessada em vencer esse desafio.

Muitos responderam que à fêmea das duas raças devemos nos referir desta forma: a cachorra (ou cadela) pastor-alemão, a cadela (ou cachorra) são-bernardo. Não há erro nessa referência. Claro está que podemos usar assim. Mas tais respostas seriam corretas se eu tivesse perguntado sobre um cachorro (ou cão) pastor-alemão ou sobre um cão (ou cachorro) são-bernardo. Na questão que formulei não entrou a palavra cão nem a palavra cachorro; sendo assim, vocês não poderiam me dar resposta usando cachorra ou cadela.

Muitos responderam “a pastora-alemã” e “a são-bernardo”. Não são respostas corretas, porque se trata de animais e com animais usamos as palavras macho e fêmea para a distinção de sexo, quando os nomes não têm feminino ou heterônimo feminino. Sendo assim, em casa tenho um pastor-alemão macho e um pastor-alemão fêmea ou tenho um são-bernardo macho e um são-bernardo fêmea. Em suma, em referência ao animal (e não à raça), o nome (tanto pastor-alemão quanto são-bernardo) é epiceno.

No caso de um pequinês, temos: um pequinês macho; um pequinês fêmea. Claro está que podemos usar também um cão pequinês, uma cadela pequinês. Podemos até eliminar a palavra cão ou cadela; teríamos, então: um pequinês; uma pequinês. Teríamos igualmente: um pastor-alemão, uma pastor-alemão; um são-bernardo, uma são-bernardo.

No caso de um rottweiller (minha raça preferida): um rottweiller macho, um rottweiller fêmea. Notem que o artigo sempre é masculino (um), mesmo em referência à fêmea, da mesma forma que usamos um jacaré macho, um jacaré fêmea; um grilo macho, um grilo fêmea.

Isso vocês não encontram em nenhum dicionário, em nenhum livro. Ao elaborar o Grande Dicionário, que sairá talvez ainda neste ano, é que me deparei com o problema e não descansei até solucioná-lo. Ao final de tudo, o verbete pastor-alemão, por exemplo (que não se encontra em dicionário nenhum), ficou assim:

pastor-alemão s.m.(o) 1. Raça de cães de origem alemã, de estrutura sólida, robusta, cabeça proporcional ao corpo, dentadura forte, mordedura em tesoura, pelos longos, princ. cinza e marrons, corajosos, alegres, obedientes, equilibrados, leais, afetuosos com o dono, amigos das crianças, tolerantes com os outros animais e facilmente adestrados, estando entre os três melhores do mundo. \  s.ep.(o) 2. Esse cão. \  adj. 3. Relativo a essa raça ou a esse cão.

Notem que em referência ao espécime, ao animal, o nome é epiceno.

EM TEMPO — Houve um de vocês que, para dar a resposta, se balizou nos “ensinamentos” de um determinado indivíduo, que posa de professor na televisão, mas que na verdade é um emérito plagiador (não faço afirmação gratuita: estou devidamente documentado). O dito-cujo diz que o feminino de pastor-alemão é “pastora-alemã”. Só se for lá no quintal dele… Aliás, lá também deve haver uma “são-bernarda”…


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Dentro (ou adentro) - Fora (ou afora)
Postado por Prof. Sacconi, 3 Abril, 2009   

Usa-se uma palavra pela outra, indiferentemente, em construções que tais:

Os ladrões irromperam porta adentro (ou porta dentro).

Foi entrando mar adentro (ou mar dentro); quando percebeu, já estava em ponto que não dava pé e quase se afogou.

Vou viajar por este Brasil afora (ou fora).

Todos colaboraram, afora (ou fora) você.

Quantas vezes não quis sair-me por essa estrada fora (ou afora), desaparecer daqui!

Quem estiver espantado com o fato de, aqui, usarem-se corretamente tanto dentro como fora, saiba que no princípio se empregava apenas e tão somente dentro ou fora, que ganharam um a protético por analogia com acima e abaixo. Os “intrusos”, portanto, são adentro e afora, que acabaram prevalecendo.


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Amálgama
Postado por Prof. Sacconi, 2 Abril, 2009   

É palavra masculina (o amálgama, um amálgama):

Aquele presidente era um amálgama de virtudes e defeitos.

O político defendeu o amálgama entre a democracia e o socialismo.

Há dicionários que a registram, equivocadamente, como feminina.

Ao tratar de mutirão, escreve alguém:

Sendo o mutirão um fenômeno universal, existente ainda hoje em muitas sociedades primitivas, é um traço cultural que mostra a solidariedade humana de todos os povos. No Brasil é uma amálgama de várias culturas.

No Correio Braziliense:

Estão lá elementos de Joy Division, The Smiths, The Cure, Talking Heads, passando por Happy Mondays e pelos contemporâneos do Interpol, The Rapture, Strokes… (mesmo que pouco), numa grande amálgama de influências.

Agora, reparem na ânsia que tem uma pessoa de ensinar bem, de ser didático, sem o conseguir:

Isso que vc fez chama-se amálgama, é a fusão de Hg c/ metais. A amálgama não é tóxica como vc pensa. Dentista usa amálgama de Ag em obturações. O mercúrio é tóxico, a amálgama não. Essa amálgama (Hg + Ag) é que deveria ter sido usada no seu caso, pois a Ag é o melhor condutor que existe.


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Um pequeno desafio
Postado por Prof. Sacconi, 2 Abril, 2009   

Talvez muitos de vocês nunca tenham pensado nisto, por isso vou cutucá-los. Vamos tratar do pastor-alemão, esse cão maravilhoso. Referimo-nos ao macho desta forma: um pastor- alemão. E à fêmea?

Outro cão maravilhoso: o são-bernardo. Referimo-nos ao macho desta forma: um são-bernardo. E à fêmea?

Vamos ver como vocês se saem.


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